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Guerra no Irão Mundo

EUA atingem alvos iranianos pela terceira noite consecutiva

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Foto EPA

O Comando Central militar dos Estados Unidos (Centcom) anunciou hoje que lançou, pela terceira noite consecutiva, ataques contra o Irão, após Donald Trump ter ameaçado que as forças norte-americanas atacariam "com muita força" a República Islâmica.

Numa nota na rede social X, o Centcom indicou que os bombardeamentos visam degradar a capacidade do Irão de atacar civis e navios mercantes no estreito de Ormuz.

A agência de notícias oficial iraniana IRNA referiu esta noite que foram registadas quatro explosões a leste de Bandar Abbas, uma cidade portuária no sul do Irão, localizada no estreito de Ormuz.

Os ataques começaram poucos minutos depois do Presidente norte-americano, Donald Trump ter declarado, numa entrevista, que a República Islâmica seria atingida "com muita força" na mesma noite.

"Vamos atacá-los com muita força esta noite e amanhã (terça-feira), e não poderão fazer absolutamente nada a esse respeito", destacou Trump durante uma entrevista com o comentador político conservador Hugh Hewitt, acrescentando que já tinham sido identificados potenciais alvos militares.

Na entrevista, Trump afirmou que entre os potenciais alvos estava o monte Kolang Gaz La, localizado na província de Isfahan, no centro do Irão, onde a República Islâmica possui, alegadamente, uma quarta instalação nuclear.

"É um alvo possível para um bom tiro certeiro direto na porta da frente", respondeu Trump sobre a possibilidade de atacar esta zona.

Horas antes, o Trump tinha dito que Washington iria restabelecer o bloqueio ao tráfego marítimo de entrada e saída dos portos iranianos, a partir de terça-feira às 21:00 (hora de Lisboa).

Anunciou ainda uma sobretaxa de 20% para a proteção de embarcações de outros países que transitam pelo estreito de Ormuz, após o restabelecimento do bloqueio naval contra o Irão.

Estas medidas surgem na sequência dos ataques entre os Estados Unidos e o Irão no Golfo Pérsico desde a semana passada, rompendo efetivamente o cessar-fogo acordado no memorando de entendimento assinado em 17 de Junho.

O estreito de Ormuz, palco central de disputas geopolíticas entre o Irão e os Estados Unidos, é uma das principais rotas marítimas mundiais para o transporte de petróleo e gás natural liquefeito, sendo considerado um ponto estratégico para o comércio internacional e para o abastecimento energético global.

No âmbito do memorando de entendimento firmado entre Washington e Teerão, os Estados Unidos tinham levantado, a 18 de junho, o bloqueio aos portos iranianos instituído dois meses antes, em resposta ao encerramento do estreito de Ormuz pelo Irão.

Mas com o recomeço das hostilidades entre os dois países nos últimos dias, o líder norte-americano garantiu, desta vez em declarações ao canal Fox News, que os Estados Unidos iam "assumir o controlo" do estreito.

Entretanto, o Irão advertiu já que vai impedir os Estados Unidos de interferirem na gestão do estratégico estreito de Ormuz.

Na noite passada, os Estados Unidos lançaram uma nova vaga de ataques contra o Irão, para impedir Teerão de atacar navios no estreito de Ormuz.

Teerão respondeu com ataques aos aliados regionais de Washington, pondo em causa o cessar-fogo de 08 de abril e o memorando de entendimento firmado em junho passado.

Irão e Omã partilham geograficamente o estreito de Ormuz, uma passagem marítima estratégica bloqueada desde março devido ao conflito iniciado por uma intervenção militar dos Estados Unidos e Israel contra a República Islâmica, em 28 de fevereiro.

Teerão e Mascate estão a negociar um protocolo de segurança no estreito para gerir a navegação por onde, antes do conflito, circulava aproximadamente um quinto do petróleo mundial.