Cidadãos lusófonos revelam conhecer pouco a CPLP e pedem aproximação
Cidadãos ouvidos pela Lusa no âmbito dos 30 anos da CPLP, que se assinalam esta semana, revelaram conhecer pouco a organização, salientando, em alguns casos, que esta é um espaço de união da língua portuguesa e de cooperação.
De Luanda a Brasília, da Praia a Maputo, passando por Lisboa, Díli e São Tomé, a maioria dos cidadãos ouvidos admitiu desconhecer a Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) ou ter apenas uma ideia vaga sobre o seu papel, associando-a, sobretudo, à promoção da língua portuguesa e às relações entre os Estados-membros.
Em Cabo Verde, Edsom Lopes, de 19 anos, afirmou nunca ter ouvido falar da CPLP, enquanto Thierry Ramos, de 22 anos, disse conhecer apenas que reúne os países de língua portuguesa, sem saber o significado da sigla. Também em Portugal, Leonor Dias, de 25 anos, declarou nunca ter ouvido falar da organização, considerando que esta "falhou em aproximar-se das pessoas e a dar-se a conhecer".
No Brasil, a sigla revelou-se igualmente pouco familiar.
Maria Luíza Martello, de 18 anos, disse ser a primeira vez que ouviu falar da CPLP, enquanto Vinicius Renato, de 47 anos, recordou apenas ter visto referências ocasionais na 'Internet', sem nunca se interessar pelo tema.
Em Moçambique, Manuel Joaquim, de 20 anos, referiu nunca ter ouvido falar da organização. Também nesse sentido, Cesária Uqueio, de 23 anos, que disse nunca ter ouvido falar da CPLP, salientou que desconhece completamente a sua função.
Entre os que têm alguma ideia do que é a CPLP, prevalece a ideia de que representa um espaço de cooperação entre países unidos pela língua portuguesa, mas que continua distante da maioria dos cidadãos.
Em Portugal, Miguel Martins, de 29 anos, considerou que a comunidade deve desenvolver iniciativas que a aproximem dos cidadãos, enquanto Mário Basílio, de 32 anos, admitiu não sentir impacto direto da organização na sua vida, considerando que as relações bilaterais entre Portugal e os restantes países lusófonos continuam mais visíveis do que a ação multilateral da CPLP.
Em Angola, Jamil Oliveira, de 20 anos, declarou que a organização é importante por unir culturas que partilham o português e destacou vantagens como o visto CPLP e o reconhecimento da carta de condução em Portugal, mas defendeu que a comunidade "tem pouca popularidade, sobretudo entre a juventude", apelando a uma maior divulgação.
Também a docente universitária angolana Edvalda Mendes explicou que a CPLP tem "muito potencial" nas áreas da mobilidade, educação e intercâmbio académico, embora reconheça que muitos jovens conhecem apenas a sigla, sem perceberem os benefícios concretos.
Em São Tomé e Príncipe, Carla Neto, de 25 anos, descreveu a CPLP como uma organização marcada pela cooperação, união e proximidade, defendendo, porém, uma intervenção mais ativa na resolução de desafios políticos e sociais dos Estados-membros. Já Virgínia Varela, de 27 anos, afirmou conhecer pouco as atividades desenvolvidas pela comunidade e defendeu um papel mais relevante na facilitação da mobilidade, sobretudo para estudantes africanos que pretendem viajar para Portugal ou Brasil.
A mobilidade foi, aliás, o tema mais referido pelos cidadaõs lusófonos ouvidos pela Lusa.
Em Cabo Verde, Miriam Tavares, de 18 anos, frisou que existe margem para evoluir "especialmente na facilitação da mobilidade entre os países". Em Angola, Alícia Bonito, de 20 anos, defendeu a livre circulação entre os Estados-membros como uma das principais vantagens que a CPLP poderia oferecer.
Em Timor-Leste, os jovens ouvidos pela Lusa pediram um reforço da cooperação económica e do intercâmbio académico.
João Brites, de 28 anos, declarou que a organização deve aproveitar melhor o potencial económico do espaço lusófono e criar oportunidades para as novas gerações, enquanto Teofilho Jacinto da Silva, de 24 anos, apelou à criação de mais bolsas de estudo e de mecanismos de cooperação entre universidades.
Também em Moçambique, Osvaldo Massango, de 24 anos, associou a CPLP às oportunidades de intercâmbio académico e cultural.
Apesar do desconhecimento generalizado, a maioria das pessoas ouvidas pela Lusa que mostrou conhecer a organização considera importante a existência de um espaço comum assente na língua portuguesa e defende que a CPLP se torne mais próxima dos cidadãos, mais visível e mais eficaz na promoção da mobilidade, da educação, da cultura e da cooperação entre os seus Estados-membros.
A CPLP, que assinala 30 anos dia 17 de julho, é composta por Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Guiné Equatorial, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe e Timor-Leste.