Trabalho social em rede - EAPN
tenho sido testemunha constante do trabalho inexcedível que a pequena equipa regional faz no terreno
Começo por dar os parabéns a toda a equipa da Rede Europeia Anti-pobreza (EAPN) por contribuírem, ao longo destes 35 anos, para que a pobreza e a exclusão social tenham sido discutidas e abordada com a seriedade que merecem.
A EAPN Europa (European Anti-Poverty Network) foi fundada em 1990, em Bruxelas, na sequência de um apelo da Comissão Europeia para a criação de um grupo de pressão constituído por Organizações Não Governamentais.
No âmbito nacional, esta Associação de Solidariedade Social, foi criada em 17 de Dezembro de 1991, pelo padre Agostinho Jardim Mireira, obtendo em 1995 o estatuto de Organização Não Governamental para o Desenvolvimento (ONGD). A ação da EAPN Portugal, sediada no Porto, estende-se a todo o país através de 18 Núcleos Distritais e um Núcleo no Funchal, na Região Autónoma da Madeira.
O núcleo regional tem tido um papel fundamental na abordagem ao problema, na Madeira, que tem a segunda maior taxa de risco de pobreza do país. A diversidade do trabalho que o núcleo tem desenvolvido desde 2018, ano da sua implantação na Região, através da Câmara Municpal do Funchal, tem fomentado o conhecimento e o diálogo social, o sentido crítico, a discussão pública e tem facilitado a compreensão do fenómeno para uma mais adequada intervenção junto à população mais vulnerável.
Além disso, a divulgação regular e sistemática das actividades que promovem, contribuem para um maior conhecimento e envolvimento das pessoas na causa que abraçam. Destaco as propostas de formação contínua, em que participo semprequepossível, os fóruns de discussão, as aulas abertas, os grupos de estudo, o contributo valioso para a elaboração de documentos de estratégia política, o papel junto aos decisores e atores políticos, as acções de sensibilização nas escolas, etc. Diria que, com a chegada da Rede Europeia Anti-pobreza à Madeira, a exclusão social deixou de ser um tabú. O foco da sua ação é o combate às causas da pobreza, num trabalho em rede entre todas as entidades que têm essa responsabilidade. Infelizmente, na Madeira, isso não se tem verificado, por falta de vontade política. Cada entidade trabalha com os “seus pobres”, quando as necessidades de cada pessoa é diferente e não ficam abrangidas pela ação de apenas um organismo. Nem pode depender da boa vontade dos técnicos. Não. As pessoas em situação de vulnerabilidade têm direito à proteção do Estado/Região e devem ser apoiadas para poderem sair daquela situação preçária, onde se encontram. Se não, os ciclos de pobreza não se fecham. Depois de 50 anos, há terceiras gerações que continuam excluídas.
A intenção da EAPN é quebrar os ciclos de exclusão. O objectivo é integrar as pessoas na sociedade, no exercício da sua cidadania plena.
Eu tenho sido testemunha constante do trabalho inexcedível que a pequena equipa regional faz no terreno, procurando informar, formar e criar pontes entre pessoas e instituições.
Destaco a parceria fundamental da EAPN na elaboração da estratégia regional de inclusão social e combate à pobreza. Acredito mesmo que não existiria estratégia sem a insistência da EAPN e com a persistência do seu fundador, padre Jardim Moreira.
A construção social faz-se com trabalho em rede. Bem hajam todos os que fazem parte deste projecto e parabéns à REDE EUROPEIA ANTI-POBREZA.