Associações madeirenses mobilizam-se para enviar bens essenciais para a Venezuela
As associações madeirenses ligadas à comunidade venezuelana estão a recolher bens essenciais em diversos pontos da ilha, até quarta-feira, que serão enviados na sexta-feira para aquele país, atingido recentemente por dois fortes sismos.
Além dos vários pontos de recolha espalhados por vários concelhos da Madeira, cerca de 10 voluntários estão hoje, até às 19:30, a recolher bens essenciais na Praça de Colombo, mais conhecida pelos locais como Praça Amarela, no centro do Funchal.
Em declarações à agência Lusa, a presidente da Associação da Comunidade de Imigrantes Venezuelanos na Madeira (Venecom), explicou que o local já estava autorizado para um encontro relacionado com os presos políticos do país.
No entanto, com os dois fortes sismos que atingiram o país na quarta-feira, foi decidido mudar o objetivo da iniciativa e recolher bens essenciais para a população na Venezuela.
"O nosso objetivo agora é a Venezuela, por isso estamos aqui em representação de todos aqueles que estão a trabalhar. Temos pontos no Funchal, Machico, Ribeira Brava, Seixal", destacou a responsável.
A recolha decorre até quarta-feira, numa primeira fase, e o envio para a Venezuela está previsto para sexta-feira, indicou Ana Cristina Monteiro.
As pessoas estão a entregar principalmente medicamentos, produtos de higiene e alimentos.
"Neste momento, nós estamos a preparar um inventário para sabermos o que mais temos e o que mais precisamos, para nestes últimos dias tentar pedir aquilo que estão a necessitar", assinalou.
Ana Cristina Monteiro afirmou que tem havido uma adesão positiva ao apelo de ajuda, realçando que "as pessoas têm mostrado uma solidariedade imensa".
"A comunidade madeirense está muito ligada à comunidade venezuelana. Todos têm uma familiar onde sucederam os terramotos, são os locais onde há uma maior incidência de comunidade madeirense", realçou.
"Mais que um apelo, o que nós temos é de agradecer a ajuda de todas as pessoas que se têm mobilizado porque realmente temos recebido bastante ajuda", reforçou.
Mais de 80% da comunidade portuguesa na Venezuela é originária da Região Autónoma da Madeira.
Segundo o governo português, cerca de 220.000 pessoas estavam registadas nos serviços consulares na Venezuela em novembro do ano passado, mas este número não inclui os lusodescendentes, pelo que as autoridades calculam que a dimensão da comunidade "seja bastante superior", tendo em conta que o registo consular não é obrigatório.
Fontes da própria comunidade estimam que o número, incluindo os lusodescendentes, possa rondar os 1,2 milhões de pessoas.
Os dois grandes sismos que foram registados na Venezuela, na quarta-feira, causaram pelo menos 920 mortos e 3.360 feridos, segundo o mais recente balanço oficial.
Entre os mortos, há pelo menos 41 portugueses e lusodescendentes, e outros 87 estão desaparecidos ou incontactáveis.
Segundo a ONU, mais de 50 mil pessoas estão desaparecidas.
Vários países, incluindo Portugal e outros estados da União Europeia, enviaram equipas de busca e salvamento para a Venezuela.
Os sismos de magnitude 7,2 e 7,5 ocorreram a 200 quilómetros de Caracas, com menos de um minuto de intervalo e foram seguidos por mais de 20 réplicas, de acordo com o Serviço Geológico dos Estados Unidos.
Dezenas de edifícios ruíram ou ficaram gravemente danificados na capital Caracas e na região de La Guaira, uma das mais afetadas.