Missão portuguesa aguarda pela atribuição de missão pelas autoridades
A missão portuguesa para ajudar nas buscas, salvamento e primeiros socorros após os sismos na Venezuela chegou hoje àquele país e aguarda pela atribuição de missão pelas autoridades venezuelanas, segundo a Proteção Civil.
“Os operacionais encontram-se neste momento a proceder à descarga de material, aguardando a atribuição de missão pelas autoridades venezuelanas, no âmbito do esforço internacional de resposta aos sismos que afetaram o país”, refere a Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil (ANEPC) numa nota divulgada nas redes sociais.
A ANEPC dá conta que a Força Operacional Conjunta (FOCON) portuguesa, composta por 64 elementos, chegou ao Aeropuerto Internacional de Maiquetía Simón Bolívar, na Venezuela, em dois voos da Força Aérea Portuguesa.
Segundo a ANEPC, o primeiro avião aterrou às 13:15 (08:15 hora local) e o segundo às 14:50 (09:50 hora local).
Os dois aviões da Força Aérea com os 64 elementos da Unidade Especial de Proteção e Socorro (UEPS) da GNR, da Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil (ANEPC), dos Sapadores Bombeiros de Lisboa e do INEM partiram de Beja na sexta-feira à noite.
Esta força conjunta reúne “capacidades especializadas em operações de busca e salvamento, recuperação de vítimas, resposta a catástrofes e apoio médico de emergência”, segunda uma nota do MNE de sexta-feira.
Seguiram também a bordo cerca de 23 toneladas de ajuda humanitária, incluindo "equipamentos de proteção individual, material de busca e salvamento, equipamento médico, medicamentos, tendas, geradores, bens alimentares", para apoiar as operações de socorro e assistência às populações afetadas, de acordo com o MNE.
Em declarações à Lusa na sexta-feira, o segundo comandante nacional da ANEPC, José Ribeiro, afirmou que os elementos da missão têm “muita experiência” em cenários de sismos.
Segundo José Ribeiro, o planeamento feito para a duração da missão portuguesa foi de 10 dias e mais dois de reserva, tendo sido também o que foi feito pelas forças internacionais que estão no terreno.
Os dois grandes sismos que foram registados na Venezuela, na quarta-feira, causaram pelo menos 929 mortos e 3.360 feridos, segundo o mais recente balanço oficial.
Entre os mortos, há pelo menos 36 portugueses e lusodescendentes, e outros 91 estão desaparecidos ou incontactáveis.
Segundo a ONU, mais de 50 mil pessoas estão desaparecidas.
Vários países, incluindo Portugal e outros estados da União Europeia, enviaram equipas de busca e salvamento para a Venezuela.
Os sismos de magnitude 7,2 e 7,5 ocorreram a 200 quilómetros de Caracas, com menos de um minuto de intervalo e foram seguidos por mais de 20 réplicas, de acordo com o Serviço Geológico dos Estados Unidos.
Dezenas de edifícios ruíram ou ficaram gravemente danificados na capital Caracas e na região de La Guaira, uma das mais afetadas.