Carris quer alterar funiculares históricos para sistema actual
A Carris pretende alterar integralmente os elevadores da Glória e do Lavra para um sistema atual e certificado, abandonando os funiculares históricos centenários de Lisboa, avançou hoje o Livre/Lisboa, após reunião com a empresa que gere os ascensores.
"Foi transmitida a perspetiva da administração sobre a reativação dos elevadores históricos de Lisboa atualmente encerrados: os elevadores da Glória e do Lavra serão integralmente alterados para um sistema atual e certificado, abandonando os funiculares históricos que faziam parte, há mais de um século, da nossa cidade", adiantou o Livre em comunicado.
O partido emitiu o comunicado após uma reunião entre a administração da Carris (responsável pelo elevador da Glória, que descarrilou em setembro passado) e os vereadores da oposição, que decorreu hoje nos Paços do Concelho, promovida pela liderança PSD/CDS-PP/IL.
Segundo a mesma nota, a administração da empresa municipal "assumiu que existiam falhas nos procedimentos internos da empresa que, direta ou indiretamente, contribuíram a ocorrência do acidente".
O presidente da Carris, Rui Lopo, que assumiu o cargo em janeiro, falou também com os vereadores sobre o "futuro sem elevadores classificados e informou que a cidade vai ficar muitos anos sem os seus elevadores a funcionar", sem avançar prazo para a sua reabertura.
Para o Livre, esta alteração "tão significativa" no sistema dos futuros ascensores deveria ser sujeita a "ampla discussão pública".
Quanto às indemnizações aos feridos e famílias das vítimas mortais, o Livre lamentou que, passados mais de 10 meses do acidente, apenas duas famílias das 16 vítimas mortais tenham sido indemnizadas, criticando a opção de deixar a seguradora a gerir sozinha todo o processo, "o que deixa as pessoas vulneráveis à negociação de valores".
O partido defendeu ainda que a Câmara Municipal de Lisboa (CML) ou a Carris deviam ter assumido o acompanhamento dos processos de indemnização, garantindo compensações justas, celeridade no processo e a salvaguarda do interesse público.
O Livre assinalou que o vice-presidente da CML, Gonçalo Reis, saiu ao fim de uma hora de uma reunião que durou três horas e meia, tal como tinha dito que ia fazer, na reunião de câmara de quarta-feira.
"Havendo esclarecimentos técnicos que suscitaram questões políticas imediatas, registamos que nenhum responsável político esteve presente para as dar", salientou.
Na quarta-feira, o vice-presidente da CML revelou, em reunião pública, que, por iniciativa da governação PSD/CDS-PP/IL, a administração da Carris iria reunir-se hoje com os vereadores da oposição - PS, Livre, BE, PCP e Chega - e com os deputados municipais, na segunda-feira, para "explicar com toda a transparência" o que está a fazer.
Gonçalo Reis disse ainda que o processo de indemnização às vítimas do acidente do elevador da Glória ainda está em curso, com compensações já pagas e outras "em negociação", sem detalhar, considerando a demora "normal".
Em causa está o descarrilamento do elevador da Glória, ocorrido em 03 setembro de 2025, que provocou 16 mortos e mais de 20 feridos, entre portugueses e estrangeiros de várias nacionalidades.
Poucos dias após o acidente, a Câmara de Lisboa anunciou a constituição de uma equipa de missão para estudar um novo sistema tecnológico do futuro elevador da Glória, com representantes do Laboratório Nacional de Engenharia Civil (LNEC), da Ordem dos Engenheiros e do Instituto Superior Técnico.
"É prioridade da Câmara Municipal de Lisboa e da Carris estudarem novas soluções e restabelecerem a normalidade com a maior brevidade possível, garantindo simultaneamente a preservação do património histórico e cultural que o elevador da Glória representa para Lisboa e para o país", referiu na altura a autarquia, em comunicado.