Borboletas no primeiro Guia da Biodiversidade do Arquipélago da Madeira e das Ilhas Selvagens
Edição da Câmara Municipal do Funchal, através do Museu de História Natural, o livro bilingue é da autoria de António Franquinho Aguiar, Ricardo Araújo e Ysabel Gonçalves
O Museu de História Natural do Funchal apresentou esta sexta-feira o primeiro volume da colecção ‘Guias da Biodiversidade do Arquipélago da Madeira e das Ilhas Selvagens’, uma nova publicação dedicada à divulgação do património natural da Região.
A obra inaugural é dedicada às borboletas e reúne informação detalhada sobre 19 espécies registadas no arquipélago, incluindo 15 residentes e quatro migratórias. O guia é da autoria de António Franquinho Aguiar, Ricardo Araújo e Ysabel Gonçalves. Trata-se de uma edição bilingue, em português e inglês, que conta com prefácio do presidente da Câmara Municipal do Funchal, Jorge Carvalho.
Mais do que um livro de identificação, a publicação pretende aproximar o público da biodiversidade madeirense. O engenheiro agrónomo e entomólogo, responsável pelo Núcleo de Entomologia do Laboratório de Qualidade Agrícola, António Franquinho Aguiar, explicou que a escolha das borboletas para abrir a colecção deve-se ao facto de constituírem um grupo relativamente reduzido, mas de grande interesse científico e visual.
"Temos apenas 19 espécies na Madeira, o que permitiu fazer uma descrição detalhada de cada uma delas num livro com cerca de 150 páginas", explicou aos jornalistas.
O guia começa por apresentar noções gerais sobre as borboletas, distinguindo-as das traças e explicando o seu ciclo de vida, seguindo-se a descrição das espécies organizadas por famílias. Cada uma é acompanhada por fotografias de todas as fases do desenvolvimento, do ovo ao adulto, bem como de exemplares na natureza e em colecção científica, facilitando a identificação pelos leitores e interessados.
Além das espécies mais comuns, a publicação dedica especial atenção às quatro espécies endémicas da Madeira. Algumas apresentam uma distribuição muito limitada, estando associadas a habitats específicos, como a floresta Laurissilva ou as zonas altas da ilha.
Franquinho Aguiar alertou, por isso, para a importância da conservação destes habitats, recordando que uma das borboletas endémicas da Madeira, conhecida como Grande Branca da Madeira (‘Pieris wollastoni’), já se extinguiu. Segundo o investigador, uma situação semelhante ameaça actualmente uma espécie aparentada nas Ilhas Canárias, onde decorrem iniciativas para evitar o seu desaparecimento.
“Qualquer ameaça à Laurissilva representa também uma ameaça para algumas destas espécies, sobretudo para aquelas cujas populações já são naturalmente reduzidas”, advertiu.
O investigador deixou ainda um apelo à participação da população na recolha de informação sobre a biodiversidade, sublinhando que o crescente número de cidadãos que partilham fotografias e observações em plataformas especializadas constitui uma ajuda importante para o trabalho científico e para a monitorização das espécies.
Também Ricardo Araújo, director do Museu de História Natural do Funchal, destacou que a nova colecção integra a estratégia do museu e da Câmara Municipal do Funchal de aproximar a investigação científica da sociedade.
“O objetivo é colocar à disposição da população o conhecimento produzido pelos conservadores e investigadores associados ao Museu, dando a conhecer o património natural do arquipélago”, afirmou.
Embora não tenha revelado quais serão os próximos temas da colecção, Ricardo Araújo adiantou que já existem vários volumes em preparação e que a expectativa é publicar ainda um novo guia até ao final deste ano. A intenção passa por lançar, anualmente, novas obras dedicadas a diferentes grupos da fauna e flora do arquipélago, à medida que o trabalho científico for sendo desenvolvido.
A apresentação do primeiro volume decorreu no Museu de História Natural do Funchal e marcou o início de um projecto editorial que pretende contribuir para o conhecimento, valorização e conservação da biodiversidade da Madeira e das Ilhas Selvagens, aspectos que foram realçados por Paula Jardim, vereadora da Câmara do Funchal com os pelouros do Ambiente, Águas e Espaços Verdes e Acção Climática.