DNOTICIAS.PT
Assembleia Legislativa Madeira

Albuquerque defende tecnologia como "oportunidade histórica" para Madeira romper amarras da ultraperiferia

Foto Rui Silva/Aspress
Foto Rui Silva/Aspress

O presidente do Governo Regional, Miguel Albuquerque, defendeu, esta manhã, na Assembleia, que a aposta na tecnologia e na inovação representa "a oportunidade histórica para a Madeira romper as amarras da ultraperiferia insular e prosperar, competir e trabalhar para o mundo inteiro". A intervenção do presidente do Governo Regional abriu o debate mensal temático dedicado à Ciência e Tecnologia.

Citando o relatório Draghi, Albuquerque sublinhou que o fosso de produtividade entre a Europa e os Estados Unidos cresceu de 5%, em 1995, para 21% actualmente, e que essa diferença se explica, em larga medida, pela incorporação de tecnologia e inovação no processo produtivo. Para o governante, esta realidade europeia confirma o "acerto" da aposta estratégica da Madeira, iniciada há três décadas com a criação da ARDITI e da Startup Madeira.

Albuquerque apresentou números de crescimento o sector. Em 2020, a Região contava com 332 empresas tecnológicas e um volume de negócios de 309 milhões de euros. Em 2024, esse número ultrapassou as 700 sociedades, com um volume de negócios acima dos 700 milhões de euros, um crescimento superior a 110% no número de empresas e de 126% na facturação em apenas quatro anos.

No Centro Internacional de Negócios da Madeira (CINM), o peso das tecnológicas no total de empresas registadas mais do que duplicou, passando de 6,8%, em 2021, para 15,9% em 2025. Mais de dois terços dessas empresas actuam no desenvolvimento de software e tecnologias de informação, com as restantes distribuídas por áreas como Fintech, Biotecnologias e Gaming.

A Startup Madeira apoiou, nos últimos nove anos, a criação de 242 empresas tecnológicas, sendo 116 em incubação física e 126 em escritório virtual.

Albuquerque anunciou a reformulação do projecto do centro de inovação do Tecnopolo, que passará a ter uma estrutura modular mais simples e funcional, custando "um quarto ou um quinto do projecto inicial", e que albergará a Startup Madeira e a ARDITI. O Governo Regional assumiu também a intenção de ser parceiro em capital de risco para apoiar startups.

O presidente destacou ainda os investimentos realizados para garantir a autonomia digital da Região: 18 milhões de euros na aquisição do cabo submarino Ellalink, que assegura a ligação digital à Europa e à América Latina, e outros 18 milhões na construção de um Centro de Dados nas Virtudes, gerido pela EEM. No total, os investimentos em soberania digital ascenderam a 36 milhões de euros.

No campo da investigação, o presidente salientou que o investimento gerido pela ARDITI praticamente duplicou entre 2024 e 2025, passando de 8,4 para 16,2 milhões de euros, em parte por via do PRR. O número de projectos aumentou de 39 para 67 entre 2025 e 2026. Na Universidade da Madeira, até junho deste ano foram submetidos 92 projectos, dos quais 22 já aprovados com apoios superiores a 17,6 milhões de euros.

No âmbito dos sistemas de incentivos à Investigação, Inovação e Digitalização do Madeira 2030 e do PRR, foram apresentadas 567 candidaturas, com um investimento total previsto de 210 milhões de euros. Estão aprovados 369 projectos, com um investimento total de 89,3 milhões de euros.

O chefe do executivo afirmou que a Madeira é hoje "a região líder no País na intensidade tecnológica dos bens que exporta", com cerca de 10% das exportações compostas por alta tecnologia, o dobro da média do continente. Entre 2015 e 2025, o PIB regional cresceu 87,1%, com o PIB per capita a situar-se nos 107,2% da média nacional e nos 88,3% da média europeia em 2024.

Albuquerque identificou como áreas de aposta futura para as startups a saúde (ligada ao novo Hospital Central e Universitário da Madeira), a Segurança e Defesa, a Economia do Mar e o turismo, em particular através do programa Upgrade de requalificação da oferta turística. Na educação, destacou a transição para o ensino digital, com manuais digitais do 5.º ao 12.º ano, salas do futuro com robótica e programação, e a expansão prevista da Inteligência Artificial às 29 escolas da Região.