Bernardo Caldeira apela à união e fixa habitação e transportes como prioridades do Porto Santo
O deputado municipal do PSD Bernardo Caldeira usou as comemorações do Dia do Município do Porto Santo para traçar um retrato exigente dos desafios da ilha e defender um projecto de desenvolvimento assente na coesão, na sustentabilidade e na fixação dos jovens.
Começando por render homenagem ao povo porto-santense, Caldeira sublinhou a resiliência como marca identitária do município "Ao longo da nossa história, os portugueses aprenderam a enfrentar limitações que muitos desconhecem, a distância, os constrangimentos dos transportes, as dificuldades de acesso a determinados serviços", evidenciou. Uma realidade que, na sua visão, não fragiliza, mas fortalece: "É precisamente dessa realidade que nasce a força do porto-santense."
O deputado social-democrata assinalou com satisfação o resultado das últimas eleições autárquicas, em que a coligação que apoia recebeu uma maioria absoluta, mas foi claro quanto ao significado desse mandato: "Uma maioria absoluta não significa afastamento do diálogo democrático, pelo contrário, obriga-nos a um sentido ainda maior de equilíbrio, de responsabilidade e de serviço público." O compromisso assumido, reforçou, é "trabalhar para todos os porto-santenses, independentemente das suas opções políticas".
Na habitação, Bernardo Caldeira foi directo: "Não vamos aceitar que os nossos jovens estejam obrigados a abandonar a ilha por falta de condições para aqui viver e construir futuro. Garantir habitação acessível é garantir população, garantir comunidade, garantir futuro." A fixação dos jovens foi apresentada como "uma prioridade estratégica", num apelo que o deputado complementou com a necessidade de criar emprego qualificado, apoiar o empreendedorismo e investir na formação, na cultura e no desporto.
Na saúde, Caldeira reconheceu as limitações que decorrem da insularidade e o que representam para as famílias, defendendo o reforço dos cuidados de proximidade. A futura Unidade Local de Saúde foi saudada como "um grande e esperado avanço das melhorias pretendidas". Quanto aos transportes, o deputado foi categórico: "As ligações marítimas e aéreas não são luxos, são uma necessidade vital para as famílias, para os estudantes, para os trabalhadores e para a atividade económica. A continuidade territorial tem que traduzir-se em soluções concretas, previsíveis e adequadas à realidade da nossa população."
Sem deixar de olhar para o futuro com confiança, Bernardo Caldeira defendeu uma aposta no turismo de qualidade, "capaz de gerar riqueza e emprego sem descaracterizar a ilha", no comércio local e numa economia "mais diversificada, mais inovadora e mais resiliente", defendeu. "O Porto Santo pode e deve afirmar-se como uma referência atlântica da sustentabilidade, inovação e qualidade de vida", afirmou ainda.
A encerrar, o deputado do PSD evocou o espírito da festa de São João como símbolo daquilo que torna a ilha verdadeiramente singular: "Aquilo que torna o Porto Santo especial não é apenas a sua paisagem, é a sua gente, a tranquilidade, a autenticidade, o sentido de comunidade que ainda conseguimos preservar." E concluiu com uma visão clara para o futuro: "Uma ilha onde os jovens possam sonhar e concretizar os seus projetos de vida. Uma ilha onde os idosos se sintam respeitados e acompanhados. Uma ilha capaz de crescer sem perder identidade."