Estas situações são conhecidas como interacções medicamentosas e podem comprometer a eficácia de um tratamento ou aumentar o risco de efeitos adversos.
Este Explicador, com base em informações do Hospital da Luz, explica o porquê.
O que são interações medicamentosas?
Uma interacção medicamentosa ocorre quando o efeito de um medicamento é alterado devido à presença de outra substância administrada ao mesmo tempo ou num curto espaço de tempo.
Essa substância pode ser outro medicamento, um suplemento alimentar, um produto natural, um chá ou até determinados alimentos e bebidas. O resultado pode variar, em alguns casos, o medicamento torna-se mais eficaz, noutros, perde efeito ou passa a provocar reacções indesejáveis.
Quais são as razões?
As interacções medicamentosas podem ocorrer por duas razões principais.
A primeira está relacionada com a forma como o organismo processa os medicamentos. Algumas substâncias podem interferir na absorção, distribuição, metabolismo ou eliminação de um fármaco. A segunda acontece quando duas substâncias produzem efeitos semelhantes ou opostos no organismo, potenciando ou anulando a acção uma da outra.
Importa referir que algumas doenças, nomeadamente problemas hepáticos ou renais, também podem alterar o efeito dos medicamentos. Contudo, nestes casos não se fala de interacção medicamentosa, uma vez que não existe a intervenção de outra substância.
Sinais de alerta
Os sintomas variam de acordo com os medicamentos envolvidos e com as características de cada pessoa.
Entre os sinais mais frequentes encontram-se náuseas e vómitos, diarreia ou alterações do trânsito intestinal, tonturas, sonolência ou sensação de desmaio, confusão mental, alterações da pressão arterial ou do ritmo cardíaco e hemorragias anormais. Os especialistas alertam que qualquer sintoma novo ou inesperado após o início de um tratamento deve ser avaliado por um médico ou farmacêutico.
Além disso, se um medicamento não produzir o efeito esperado ou se uma doença previamente controlada se agravar, pode existir uma interacção a comprometer o tratamento.
Algumas interacções mais conhecidas
Existem várias combinações de substâncias que podem alterar a eficácia ou a segurança dos tratamentos.
Medicamento com medicamento - Alguns antibióticos podem reduzir a eficácia dos contraceptivos hormonais, aumentando o risco de gravidez não planeada. Já a combinação de anticoagulantes com determinados anti-inflamatórios, como o ibuprofeno, pode aumentar o risco de hemorragias. Há ainda antiácidos que podem dificultar a absorção de alguns antibióticos, tornando-os menos eficazes.
Medicamento com suplementos ou chás - Nem todos os produtos naturais são inofensivos. A Erva de São João, também conhecida como hipericão, pode reduzir a eficácia de diversos medicamentos, incluindo antidepressivos e contracetivos. O chá de valeriana pode reforçar o efeito de medicamentos utilizados para a ansiedade, enquanto chás como camomila, gengibre ou gingko biloba podem aumentar o risco de hemorragia quando combinados com anticoagulantes ou anti-inflamatórios.
Medicamento com alimentos e bebidas - Alguns alimentos também interferem com os tratamentos. O sumo de toranja pode aumentar a concentração de determinados medicamentos no sangue, potenciando efeitos adversos. Já o álcool pode intensificar o efeito sedativo de alguns fármacos e provocar interacções potencialmente perigosas. Em certos casos, refeições ricas em gordura podem alterar a absorção dos medicamentos.
Como reduzir o risco?
A prevenção continua a ser a melhor forma de evitar problemas relacionados com interacções medicamentosas.
Os profissionais de saúde recomendam:
- manter uma lista actualizada de todos os medicamentos, suplementos e produtos naturais utilizados;
- informar sempre médicos e farmacêuticos sobre chás, vitaminas ou suplementos tomados regularmente;
- evitar o consumo excessivo do mesmo chá durante longos períodos;
- seguir rigorosamente as orientações médicas quanto às doses e horários dos medicamentos;
- esclarecer se os medicamentos devem ser tomados antes, durante ou após as refeições;
- evitar interromper tratamentos sem aconselhamento profissional;
- não recorrer à automedicação sem orientação adequada.
A importância de estar informado
As interações medicamentosas são mais comuns do que muitas pessoas imaginam e nem sempre envolvem apenas medicamentos. Chás, suplementos, alimentos e bebidas podem alterar a forma como um tratamento atua no organismo. Conhecer os riscos e manter uma comunicação aberta com médicos e farmacêuticos é fundamental para garantir a eficácia dos tratamentos e proteger a saúde.