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Madeira

Greve na Saúde com forte adesão nos hospitais e impacto elevado nos serviços

Foto Arquivo/Helder Santos/Aspress
Foto Arquivo/Helder Santos/Aspress

A greve no sector da saúde está a registar uma forte adesão na Região Autónoma da Madeira, com especial impacto nos hospitais, onde a participação terá atingido entre 70% e 80%, segundo dados avançados pelo coordenador da delegação da Madeira do Sindicato dos Trabalhadores em Funções Públicas e Sociais do Sul e Regiões Autónomas.

Em declarações à TSF-Madeira/DIÁRIO, Nelson Pereira salienta que nos serviços hospitalares, "a paralisação fez-se sentir de forma significativa", com vários sectores "a funcionar em regime de serviços mínimos". Em algumas unidades, as consultas externas foram afectadas e várias marcações tiveram de ser reagendadas, com utentes previamente informados das alterações, assegura.

Entre os serviços mais afectados esteve, também, a dádiva de sangue, que ficou "temporariamente encerrada", contribuindo para uma redução adicional da actividade programada.

Já nos cuidados de saúde primários e em alguns centros de saúde da Região, a adesão à greve terá sido mais reduzida, variando entre 30% e 50%, calcula Nelson Pereira, embora com "diferenças entre serviços administrativos, técnicos e assistentes operacionais".

A paralisação enquadra-se numa greve de âmbito nacional, com reivindicações centradas na falta de profissionais, nas condições de trabalho e na valorização das carreiras. No sector da Saúde regional, os trabalhadores apontam sobretudo à "carência de recursos humanos e o impacto directo nas equipas", que dizem estar "frequentemente sobrecarregadas".

O responsável sindical disse ainda que entre as principais reivindicações estão "o pagamento de trabalho suplementar e de feriados", que, segundo explica, "tem vindo a sofrer atrasos ou ausência de pagamento nos últimos anos". Destacada também "a necessidade de revisão da carreira de assistente operacional da área da saúde", considerada desajustada face às funções desempenhadas.

De acordo com o representante sindical, a situação reflecte "um problema estrutural de falta de pessoal" no Serviço de Saúde da Região Autónoma da Madeira (SESARAM), agravado por "reformas e ausência de novas contratações em número suficiente para compensar saídas".

O sindicalista alertou, ainda, para "o desgaste crescente dos profissionais", referindo que "a acumulação de horas extraordinárias e a escassez de equipas têm contribuído para o aumento de baixas médicas e para a dificuldade em manter a resposta regular dos serviços", alerta Nelson Pereira.

A greve deverá continuar a ter reflexos nas próximas horas. O Governo Regional também deverá fazer um balanço da greve mais para o final do dia.