Obama inaugura centro presidencial com ex-presidentes, lendas da música e celebridades
O antigo presidente norte-americano Barack Obama, acompanhado de três antecessores, inaugurou hoje o seu museu presidencial em Chicago, num evento que reuniu líderes mundiais, artistas, celebridades, desportistas e outras figuras de renome internacional.
Os músicos Bono, vocalista da banda irlandesa U2, John Legend, Christina Aguilera, Marc Anthony e Eddie Vedder subiram ao palco à vez, depois de Jennifer Hudson cantar o hino dos Estados Unidos e antes das atuações previstas de Bruce Springsteen e Stevie Wonder.
Obama e a mulher, Michelle Obama, juntamente com as duas filhas, estavam sentados no palco ao lado dos ex-presidentes Joe Biden, George W. Bush e Bill Clinton, bem como das ex-primeiras-damas Jill Biden, Laura Bush e Hillary Rodham Clinton. A ex-vice-presidente Kamala Harris também esteve presente.
O atual Presidente dos Estados Unidos, o magnata republicano Donald Trump, não marcou presença no evento.
Numa publicação nas redes sociais em fevereiro, Trump classificou o projeto de 850 milhões de dólares (742 milhões de euros), construído no centro da cidade de Chicago, como um "desastre total".
Michelle Obama dirigiu-se diretamente ao marido quando subiu ao palco, num discurso emocionado: "Oito anos sob forte pressão e em nenhum momento te deixaste abater, em nenhum momento permitiste que isso te endurecesse.
"Em vez disso, usaste essa experiência para revelar a tua verdadeira essência: o teu otimismo obstinado e a tua coragem inabalável; o teu brilhantismo deslumbrante e a tua dignidade despretensiosa; a tua feroz ética de trabalho e a tua fibra moral absolutamente inabalável. E fizeste tudo isso sendo um pioneiro", descreveu.
Enumerou os principais momentos dos dois mandatos do marido na Casa Branca, incluindo a ordem para a operação que levou à eliminação do antigo líder e fundador da rede terrorista Al-Qaida Usama bin Laden, a "defesa da igualdade no casamento" e o "cumprimento das recomendações científicas".
"E fizeste tudo isto com tanta graciosidade, classe e serenidade... Fizeste com que o trabalho mais difícil do mundo parecesse um passeio neste belo parque", observou Michelle Obama.
A antiga primeira-dama referiu ainda os atuais "tempos de ansiedade e divisão" e advertiu contra o cinismo ou a complacência por "tudo parecer tão ao contrário do que devia ser", apresentando o novo centro presidencial como "uma pausa de tudo isso".
A cerimónia, apenas para convidados, foi transmitida em direto e deu início a um fim de semana de eventos centrados no Centro Presidencial Obama, que abre ao público em geral no "Juneteenth (Dia da Emancipação)", 19 de junho.
Milhares de pessoas assistiram a partir de um parque próximo.
Entre os presentes no evento, contavam-se o governador da Califórnia, Gavin Newsom, um potencial candidato democrata à presidência em 2028; os líderes dos direitos civis Andrew Young e Al Sharpton; Oprah Winfrey; os humoristas David Letterman, Conan O'Brien e Stephen Colbert; o ator Tom Hanks; a lenda do ténis Billie Jean King e o presidente dos Chicago Cubs, Tom Ricketts.
De entre os antigos líderes mundiais presentes, destacavam-se a antiga chanceler alemã Angela Merkel e o ex-primeiro-ministro canadiano Justin Trudeau.
"Isto não é um monumento aos Obamas, é uma homenagem a todos aqueles que tornaram esta viagem possível", frisou Valerie Jarrett, diretora executiva da Fundação Obama e antiga conselheira sénior de Obama.
Os bilhetes de entrada no centro já estão esgotados até ao final de outubro, mas dezenas de milhares de pessoas já tiveram oportunidade de conhecer em primeira mão o recinto de quase oito hectares no lado sul de Chicago, no Jackson Park.
Espera-se que o centro, situado perto do local onde Barack Obama viveu e iniciou a carreira política, atraia mais de um milhão de visitantes por ano.
Fica ao lado do Museu Griffin de Ciência e Indústria, no parque, à beira do lago, e não muito longe da Universidade de Chicago.
O 'campus' inclui um museu instalado numa torre, que abrange as esferas política e pessoal do primeiro presidente e da primeira-dama negros dos Estados Unidos, e nos espaços públicos há uma extensão da Biblioteca Pública de Chicago, um parque infantil e centro desportivo, campos de basquetebol e uma área de piquenique com churrasqueiras.
O 'design' da torre pretende representar quatro mãos unidas em solidariedade. De um dos lados, letras maiúsculas de betão com 1,5 metros de altura compõem um excerto do discurso proferido por Obama em 2015, quando assinalou o 50.º aniversário da marcha de Selma a Montgomery. O texto começa com a frase: "Vocês são a América".
É um espaço que rompe com a tradição das bibliotecas presidenciais, iniciadas com Franklin D. Roosevelt na década de 1930, por não acolher arquivos presidenciais em suporte físico e ser o primeiro centrado no formato digital.
O mais caro da história do país, o centro pretende ser emblemático dos anos de Obama na Casa Branca e formar os líderes políticos do futuro.