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Guerra no Irão Mundo

Macron não acredita que guerra tenha terminado e pede responsabilidade a Netanyahu

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Foto EPA/FRANK KPORFOR

O Presidente francês afirmou hoje não acreditar que a guerra "tenha terminado por completo", apesar do acordo assinado na quarta-feira, pedindo ao primeiro-ministro israelita prova de "responsabilidade e racionalidade" na frente libanesa.

"É sempre melhor ter um acordo do que a guerra, sobretudo quando podem existir riscos de escalada", disse Emmanuel Macron em declarações à estação France 2.

"Entramos numa nova fase, que é a da cooperação e do diálogo, o que é melhor do que a guerra", acrescentou.

Um dos pontos frágeis do acordo continua a ser a ofensiva israelita no Líbano, cuja cessação consta no memorando de entendimento, e embora o líder francês reconheça que "o [movimento xiita libanês] Hezbollah seja um risco para Israel", defendeu que a longo prazo a ofensiva "é contrária aos interesses" do Estado judaico.

"O Hezbollah é um risco para Israel, isso é absolutamente verdade", mas a segurança do Estado israelita "não pode ser garantida pela conquista de um território vizinho", disse.

A política do primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, tanto no Líbano, como na Faixa de Gaza e na Cisjordânia, "alimenta o ressentimento e a violência de todas as populações da região".

Macron anunciou que ia, mais uma vez, tentar mobilizar a comunidade internacional para "ajudar o exército libanês a retomar o controlo do seu território".

Israel avisou já que não prevê uma retirada total do sul do Líbano, o que o Irão considera uma violação do entendimento que pode torná-lo nulo e sem efeito, disse o porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros iraniano.

Também o vice-presidente norte-americano, JD Vance, tinha já pedido contenção a Netanyahu no Líbano.

Vance instou mesmo Israel a respeitar o processo de paz iniciado com o Irão, o qual exige o fim das hostilidades no Líbano entre as forças israelitas e o Hezbollah, aliado de Teerão, seja abrangido pelo cessar-fogo total na região. 

"Israel tem o direito de se defender, mas, fundamentalmente, os israelitas, como todos os outros, devem respeitar este processo de paz, essencialmente benéfico tanto para eles como para toda a região", sustentou. 

JD Vance fez alusão à secção sobre o Líbano no texto do memorando por se tratar de um acordo sobre "paz regional", o que implica que as milícias do Hezbollah "não vão lançar foguetes ou drones contra israelitas e, por sua vez, os israelitas não vão agir de forma imprudente" no país vizinho, onde expandiram a ocupação terrestre nos últimos três meses.

Sobre a assinatura do acordo, Macron adiantou que a decisão de o Presidente norte-americano, Donald Trump, de assinar o documento no Palácio de Versalhes durante um jantar para o qual o tinha convidado no final da cimeira do grupo dos sete países mais industrializados do mundo (G7), em Evian (leste), foi "tomada de forma bastante espontânea".

Estava inicialmente previsto que o acordo fosse assinado na sexta-feira na Suíça por JD Vance, e pelo principal negociador e presidente do parlamento iraniano, Mohammad Bagher Ghalibaf.

O acordo estipula a reabertura imediata do estreito de Ormuz e o fim do bloqueio marítimo imposto pelos Estados Unidos aos portos iranianos.

O acordo estabelece ainda o fim das hostilidades em todas as frentes, incluindo o Líbano, e abre um período de 60 dias de negociações centradas no programa nuclear da República Islâmica e diluição do urânio enriquecido, em troca do levantamento total de sanções a Teerão, que pode começar desde já a comercializar produtos petrolíferos, além da disponibilização dos fundos iranianos congelados no exterior.

O acordo prevê ainda um fundo de 300 mil milhões de dólares, a ser reunido com os parceiros regionais, para a reconstrução do Irão e que Washington insiste que não vai custar "um cêntimo" aos contribuintes norte-americanos.