DNOTICIAS.PT
Mundo

Netanyahu diz que guerra salvou Israel de ameaça de "destruição nuclear"

None
Foto EPA/RONEN ZVULUN / POOL

 O primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, afirmou hoje que a guerra contra o Irão salvou Israel da ameaça de "destruição nuclear" e garantiu que o exército israelita permanecerá em Gaza, Líbano e Síria "pelo tempo que for necessário".

"O mais importante é que salvámos o Estado de Israel da ameaça de aniquilação nuclear", disse Netanyahu, numa conferência de imprensa, após o anúncio de um acordo entre Washington e Teerão para pôr fim à guerra no Médio Oriente.

"Significa que milhões de vocês, cidadãos israelitas que me ouvem agora, todos vocês, estavam em grave perigo", acrescentou.

O acordo alcançado entre os Estados Unidos e o Irão foi amplamente considerado um fracasso para Israel pela sociedade e por grande parte da classe política, acusando-o de capitular perante os EUA.

O primeiro-ministro defendeu o historial da guerra contra Teerão e as operações militares israelitas no Irão, Líbano e Gaza.

Entre os objetivos alcançados, Netanyahu citou os danos "em centenas de milhares de milhões de dólares" causados à economia iraniana, bem como o assassínio dos principais líderes do regime e a destruição de mísseis e fábricas.

No entanto, quando Israel pediu à administração Trump que se juntasse a um ataque conjunto surpresa ao Irão, os objetivos eram diferentes.

Netanyahu descreveu ao Presidente norte-americano, Donald Trump, um cenário em que destruiriam o programa de mísseis do Irão, enfraqueceriam um regime incapaz de fechar o estreito de Ormuz e provocariam uma revolta popular que o derrubaria, segundo o jornal New York Times num artigo sobre o encontro dos dois líderes na Casa Branca a 11 de fevereiro, 17 dias antes de começarem a guerra contra Teerão.

O regime dos Khamenei permanece no poder, agora liderado pelo 'ayatollah' Mojtaba, filho do antigo líder supremo do Irão, Ali Khamenei, morto no primeiro dia dos ataques israelo-americanos, a 28 de fevereiro.

Além disso, Teerão retaliou com o fecho do estreito de Ormuz, uma passagem estratégica para o comércio mundial do petróleo, e atacando vários países do Golfo Pérsico.

O acordo preliminar, que deverá ser assinado na sexta-feira, prolonga por 60 dias o cessar-fogo em vigor desde 8 de abril e estabelece um quadro negocial para futuras negociações sobre o acordo nuclear.

Os compromissos garantem a reabertura do estreito de Ormuz e um levantamento progressivo das sanções sobre Teerão.

Ainda assim, Netanyahu assegurou que "a luta ainda não terminou" e que Israel permanecerá "em alerta" e determinado a atacar, se necessário, não só o Irão, mas qualquer um daqueles que descreveu como seus aliados no Médio Oriente.

"Atacámos de uma forma sem precedentes. Fizemo-lo em Gaza, no Líbano, na Síria, no Iémen, nos campos de refugiados na Judeia e Samaria, fizemo-lo em todo o lado", disse o chefe do Governo israelita sobre as ofensivas de guerra que Israel tem travado desde o final de 2023, que causaram 73.000 mortes em Gaza.

Netanyahu insistiu também que o Irão nunca terá armas nucleares.

"Defendi-o até hoje e continuarei a defendê-lo no futuro. Com ou sem acordo, o Irão não terá armas nucleares. Nem hoje nem amanhã. Enquanto eu for primeiro-ministro de Israel, isso não acontecerá", disse o chefe do Governo à imprensa israelita, na qual quis enumerar as "conquistas" alcançadas após esta guerra.

Benjamin Netanyahu insistiu ainda que o exército israelita permanecerá em Gaza, Líbano e Síria "pelo tempo que for necessário".

"Estabelecemos grandes zonas de segurança em redor de Israel. Já o fizemos em Gaza, Líbano e Síria. Quero deixar claro: permaneceremos nestas zonas seguras pelo tempo que for preciso para proteger o nosso país", afirmou.

Israel tem estado envolvido em operações militares na Faixa de Gaza, no Líbano e no Irão há meses.

Alguns dos objetivos de guerra declarados pelo exército israelita não foram alcançados.