Netanyahu admite discordar de Trump tal como ocorre "nas melhores famílias"
O primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, realçou hoje que conhece o Presidente norte-americano, Donald Trump, há muitos anos e que, concordam e discordam em diversas ocasiões, tal como acontece "até nas melhores famílias".
"A relação entre parceiros que se conhecem bem implica estar de acordo em muitas coisas e, por vezes, discordar. Isso acontece mesmo nas melhores famílias", sublinhou Netanyahu na sua primeira conferência de imprensa após o anúncio do acordo entre os Estados Unidos e o Irão.
"Nos Estados Unidos dizem que o presidente Trump faz tudo o que eu lhe peço, e em Israel dizem o contrário", referiu, acrescentando que "isso não é verdade".
O governante israelita realçou que o Presidente norte-americano envolveu o seu Exército para lutarem juntos contra o seu "inimigo comum".
"Isto é admirável. Respeito-o", destacou ainda, sobre a atuação de Trump no Irão, embora tenha acrescentado que ainda não sabe qual é o conteúdo do acordo anunciado e que se prevê assinar esta sexta-feira.
As suas declarações surgem na sequência das palavras de Trump sobre Netanyahu nas últimas semanas, classificando-o de "pessoa difícil" e de "louco", e sugerindo-lhe que se mostrasse mais grato pelo apoio norte-americano.
O acordo preliminar, que deverá ser assinado na sexta-feira, prolonga por 60 dias o cessar-fogo em vigor desde 8 de abril e estabelece um quadro negocial para futuras negociações sobre o acordo nuclear.
Os compromissos garantem a reabertura do estreito de Ormuz e um levantamento progressivo das sanções sobre Teerão.
Ainda assim, Netanyahu assegurou que "a luta ainda não terminou" e que Israel permanecerá "em alerta" e determinado a atacar, se necessário, não só o Irão, mas qualquer um daqueles que descreveu como seus aliados no Médio Oriente.
"Atacámos de uma forma sem precedentes. Fizemo-lo em Gaza, no Líbano, na Síria, no Iémen, nos campos de refugiados na Judeia e Samaria, fizemo-lo em todo o lado", disse o chefe do Governo israelita sobre as ofensivas de guerra que Israel tem travado desde o final de 2023, que causaram 73.000 mortes em Gaza.
Benjamin Netanyahu insistiu ainda que o Exército israelita permanecerá em Gaza, Líbano e Síria "pelo tempo que for necessário".
"Estabelecemos grandes zonas de segurança em redor de Israel. Já o fizemos em Gaza, Líbano e Síria. Quero deixar claro: permaneceremos nestas zonas seguras pelo tempo que for preciso para proteger o nosso país", afirmou.