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Madeira

Parceria que expõe o talento dos alunos para fora da sala de aulas

Concurso 'Todas as Flores que eu sonhei', do projecto Ponto e Vírgula, premeia criatividade de alunos da Madeira com tapete de flores na Festa da Flor

Foto Helder Santos/Aspress
Foto Helder Santos/Aspress

Decorreu hoje a entrega do prémio do concurso 'Todas as Flores que eu sonhei', iniciativa do projecto Ponto & Vírgula da Secretaria Regional de Educação, Ciência e Tecnologia, que contou com apoio da Secretaria Regional de Turismo, Ambiente e Cultura, que o englobou no âmbito da Festa da Flor, bem como do DIÁRIO, parceiro do projecto editorial, e ainda do centro comercial Plaza Madeira.

Âmbar da Silva, aluna do 12.º4 da Escola Básica e Secundária de Machico, que foi a grande vencedora do concurso com a proposta 'Memórias do Jardim da Avó', bem como os colegas que ajudaram na elaboração e montagem da exposição, foi o destaque da inauguração que contou com as presenças da secretária regional da Educação, Elsa Fernandes, do director do DIÁRIO, Ricardo Miguel Oliveira, do director do Plaza Madeira, Vítor Rodrigues, e da directora regional de Turismo, empresentação do secretário regional com a tutela.

Inspirado pelas levadas e quintais de flores das casas madeirenses, este foi o trabalho que foi além das paredes da sala de aula e ganhou visibilidade pública no âmbito das festividades da Festa da Flor. "A proposta é composta por vasos de barro preenchidos com estruturas dimensionais côncavas e convexas, executados com a técnica de balão e pasta de papel, pintadas com tintas acrílicas. Foram usadas também flores naturais como margaridas e gerberas", informava a nota de imprensa. Mas o que se viu é algo bem melhor, diferente do habitual, mesmo daqueles que estão na placa central da Avenida Arriaga.

A escola que vai ao encontro da vida

A secretária regional de Educação, Ciência e Tecnologia, Elsa Fernandes, enalteceu o carácter transformador de projectos com impacto fora da escola. "Em termos pedagógicos, propor aos alunos um projecto que vai ter visibilidade pública não tem nada a ver com propor um projecto que fica dentro da sala de aula", sublinhou a governante, acrescentando que a possibilidade de ser avaliado por um júri e de competir acrescenta à aprendizagem "ingredientes importantíssimos, porque isto é a vida".

Para Elsa Fernandes, elementos como a motivação adicional e a responsabilidade de apresentar trabalho a terceiros são aprendizagens fundamentais para a formação dos jovens. "Nós, de uma forma ou de outra, estamos normalmente em competição com outros", disse, defendendo que este tipo de iniciativas representa o melhor da Escola da Madeira.

A secretária deixou ainda um agradecimento especial à professora Alexandra, que, por razões de saúde, não pôde estar presente na cerimónia, mas que foi, nas suas palavras, "a pessoa que se envolveu fortemente" no projecto.

Dar palco às ideias dos alunos

O director do DIÁRIO de Notícias da Madeira, Ricardo Miguel Oliveira, defendeu que o processo educativo deve ser repensado: "Mais do que dar coisas aos alunos e às escolas, era importante dar palco às coisas dos alunos e das escolas." Para o responsável, este é o melhor exemplo de como uma iniciativa bem concebida pode devolver à escola o seu verdadeiro propósito criativo.

Ricardo Miguel Oliveira destacou ainda o trabalho da aluna vencedora, realçando a forma como a sua criação conjuga autenticidade, memória e natureza — elementos identitários da Madeira. "Detecto que teremos melhores construções na Madeira e no mundo", afirmou, visionando no trabalho de Âmbar o talento de uma futura arquitecta.

O director recordou também que o projecto "Ponto & Vírgula" celebra este ano 11 anos de existência, tendo reunido nesta edição mais de 50 trabalhos — um número que, nas suas palavras, "dignifica muito aquilo que concebemos há 11 anos".

Criatividade fora da caixa

O director do Hotel Plaza Madeira, Vítor Rodrigues, parceiro do concurso, congratulou-se com o nível dos trabalhos apresentados. "Este tapete de flores não tem ambição de concorrer com os tapetes habituais da baixa da cidade. Aqui é um trabalho de criatividade, de pensar fora da caixa e de utilizar materiais pouco usuais", salientou.

Vítor Rodrigues elogiou a equipa do "Ponto & Vírgula" pelo trabalho de acompanhamento e selecção dos projectos, e manifestou o desejo de que, "de ano para ano", os trabalhos continuem a ser cada vez mais inovadores e diferenciadores.

Escola de Machico vence pelo terceiro ano consecutivo

A Escola Básica de Machico, representada não só pelos alunos, mas também pelo seu Conselho Executivo, conquistou o primeiro lugar pelo terceiro ano — facto que não passou despercebido a Ricardo Miguel Oliveira, que o considerou um caso de referência "a vários níveis". O trabalho vencedor destaca-se pelo uso de materiais reciclados e pela incorporação de elementos identitários da ilha, como a natureza e as memórias familiares da autora.

A cerimónia encerrou com apelos à continuidade do projecto e à valorização das ideias que nascem nas escolas — para que, como sublinhou o director do DIÁRIO, "o nosso mundo fique bem melhor e bem mais memorável".