Ensino do português bate recorde de 15.000 alunos em 63 escolas na Venezuela
As representações diplomáticas de Portugal, Brasil, Angola e Guiné Equatorial uniram-se para assinalar o Dia Mundial da Língua Portuguesa na Venezuela, onde o ensino do português bateu um recorde de 15.000 alunos em 63 escolas.
As celebrações, que irão decorrer durante todo o mês de maio, assinalam ainda o 30.º aniversário da Comunidade de Países de Língua Portuguesa (CPLP), e arrancaram esta terça-feira na Universidade Central da Venezuela (UCV), em Caracas, estendendo-se neste "Maio: o mês da Língua Portuguesa" também às cidades de Maracay e Mérida.
"A Língua Portuguesa é um hino à diversidade, à criatividade e à fraternidade, que une mais de 260 milhões de pessoas, falantes, em cinco continentes", começou por sublinhar o novo embaixador português em Caracas, Manuel Pinheiro da Silva, no ato inaugural das comemorações.
"É um dos idiomas mais globais de nosso tempo. É a língua oficial em nove países, é veículo de ciência, de diplomacia, de comércio e, acima de tudo, também de arte e de sentimento, que na sua gloriosa diversidade pluricultural, constrói pontos onde outros ergueriam muros", acrescentou.
O diplomata evocou ainda as três décadas de existência da CPLP e "a sua missão de projetar a língua", enquanto "idioma de paz, desenvolvimento e de partilha de valores fundamentais, como a democracia, os direitos humanos e a justiça social".
"São 30 anos, três décadas, durante as quais os povos, as nações, os estados-membros da CPLP, mostraram ao mundo que a nossa herança histórica comum é, antes de mais, um projeto de futuro", disse.
Como exemplo, apontou, "atualmente já são 63 as escolas em todos os estados da Venezuela que adotaram a língua portuguesa como língua de ensino curricular. São cerca de 15 mil alunos em diferentes regiões, que aprendem diariamente a nossa língua".
Segundo o embaixador este "crescimento exponencial na Venezuela é o melhor termómetro da pujança do crescimento do idioma e das tradições culturais lusófonas, que foram vividas, pensadas e escritas por criadores" como Fernando Pessoa, Jorge Amado, Agostinho Neto, Abdulai Silá, Mia Couto, João Tomás Laurel, Luís de Noronha, Alda Espírito Santo, e Germano Almeida, enumerou.
Manuel Pinheiro da Silva agradeceu "o papel crucial, extraordinário e inestimável da UCV" para o "notável florescimento do ensino da língua portuguesa na Venezuela" e recordou que há 31 anos foi assinado um protocolo de cooperação entre aquela universidade e o Instituto Camões de Portugal.
"Ao longo destes 31 anos, mais de 1.200 estudantes venezuelanos, beneficiaram nestas salas e laboratórios de uma formação científica e académica da mais elevada qualidade (...) adquiriram ferramentas valiosas, gramaticais, culturais, humanísticas que lhes abriram portas para o futuro", disse.
Em declarações à Lusa, o diplomata reforçou que "a língua portuguesa está muito viva na Venezuela", instando os nacionais portugueses, luso-descendentes e venezuelanos a falarem o idioma. "Falar português é uma riqueza", disse.
Já o cônsul-geral de Angola na Venezuela, Mário Simão, sublinhou à Lusa que mais de 260 mil milhões de pessoas falam português e que agora "a batalha" é "conseguir que a língua portuguesa se torne uma língua de trabalho da Organização das Nações Unidas".
Entre o conjunto de celebrações previstas nas três cidades, constam várias palestras sobre literatura, linguística, didática do português como língua estrangeira, assim como eventos musicais dos países da CPLP.