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Montenegro diz contar com Marcelo no PSD e promete não desiludir "histórica" Conceição Monteiro

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Foto JOSÉ SENA GOULÃO/LUSA

O presidente do PSD, Luís Montenegro, saudou hoje "o regresso a casa" de Marcelo Rebelo de Sousa, dizendo que contará com ele no partido, e prometeu "continuar a fazer bem" para não desiludir a militante número dois, Conceição Monteiro.

O ex-Presidente da República Marcelo Rebelo de Sousa participou hoje ira nas comemorações do 52.º aniversário do PSD, em Lisboa, na primeira iniciativa partidária desde que deixou Belém, e que serviu também para homenagear Conceição Monteiro, de 92 anos.

Na sua intervenção, o antigo líder do PSD centrou-se sobretudo nos elogios à antiga secretária de Francisco Sá Carneiro, dizendo que ainda hoje se lhe dirige como avó e ela lhe chama neto, sem qualquer referência (como prometeu) à atualidade política.

Montenegro notou essa contenção, dizendo que ainda não foi hoje que ganhou a aposta de que o ex-Presidente não resistiria muito tempo a comentar a política nacional, mas assegurou que conta com ele no PSD.

"É com todo o afeto e também com gratidão por tudo aquilo que tem feito e fez na Presidência, que nós, na sua casa, na sua família, o tornamos a acolher e contamos consigo. Não podendo expressar as suas opiniões, porque há esse compromisso, mas podemos contar consigo e vamos contar consigo", disse.

Conceição Monteiro -- que recusou uma cirurgia marcada para hoje poder estar presente "neste evento" -- deixou um pedido aos seus "pêpêdês", a forma como se referiu aos militantes sociais-democratas.

"Não nos deixem ficar mal, o partido não merece, o partido merece o melhor de nos próprios, o melhor de cada um de nós", pediu, revelando que "quando andam pelas linhas certas" envia mensagem aos dirigentes do partido, mas quando fica triste nada lhes diz.

Conceição Monteiro defendeu que "a linha certa está na social-democracia" e pediu a todos que no PSD, quando vão à rádio ou televisão, não se esqueçam de que ela está, na maioria das vezes, a ouvi-los no sofá.

"Tenho a certeza que, se pensarem isso, vão sempre trabalhar a favor de Portugal e dos portugueses", apelou.

Na resposta, Montenegro disse que é destinatário das mensagens de Conceição Monteiro há muitos anos.

"Eu só posso dizer-vos que sinto cada vez mais o peso da responsabilidade de continuar a fazer bem, de não desiludir, de não dececionar", disse.

Marcelo Rebelo de Sousa considerou que a história da fundação do PSD e de Conceição Monteiro são inseparáveis, uma vez que ela começou a trabalhar para o partido poucos dias depois de ter sido encontrada a sua primeira sede.

"Constituiu-se um elemento unificador muito importante na vida do partido. Naquela ocasião havia muitas sensibilidades, coisa rara como sabem nos partidos", contou, provocando risos entre a plateia.

Marcelo recordou, como exemplo, a primeira vez que o fundador Francisco Sá Carneiro deixou a liderança do Governo e do partido.

"Parecia o fim do Francisco Sá Carneiro. As pessoas não perceberam que nunca ninguém está definitivamente morto na política", afirmou, para logo acrescentar que não estava "a exprimir opinião política nenhuma", mas um juízo de facto sobre a realidade histórica.

Na sessão -- que terminou com bolo e música no topo de um dos edifícios da Fábrica dos Unicórnios - marcaram presença o ex-candidato presidencial Luís Marques Mendes, vários ministros do atual Governo e deputados e eurodeputados.