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Repatriamentos a partir das Canárias com mecanismo europeu de proteção civil

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Foto ELTON MONTEIRO/LUSA

O navio com hantavírus chegará às Canárias dentro de três dias e as pessoas a bordo serão retiradas e repatriadas ao abrigo do mecanismo europeu de proteção civil, disse hoje o Governo de Espanha.

O MV Hondius, que está de quarentena em águas de Cabo Verde, deve chegar às ilhas espanholas dentro de três dias, depois de hoje terem sido retiradas do paquete as três pessoas com sintomas de infeção com hantavírus, que foram levadas para os Países Baixos, disseram os ministros da Saúde e da Administração Interna de Espanha, numa conferência de imprensa em Madrid.

Espanha vai receber o navio nas Canárias, a partir de onde será feita a operação de transferência e repatriamento, por determinação e pedido da Organização Mundial da Saúde (OMS), disse o ministro Fernando Grande-Marlaska, que tem a pasta da Administração Interna.

Segundo a OMS, as Canárias são o porto mais próximo do local onde está agora o cruzeiro com todas as capacidades técnicas e de segurança de saúde pública necessárias para esta operação, acrescentou.

Além de ser o porto "com todas as capacidades técnicas necessárias", as Canárias são território da União Europeia e conta por isso com o quadro legal europeu e o mecanismo que garante o repatriamento das pessoas a bordo do navio "com condições de maior segurança", disse o Fernando Grande-Marlaska.

"É uma situação complexa, mas temos meios para responder a este tipo de situação com o músculo próprio do nosso país e também da União Europeia", acrescentou.

O ministro sublinhou que Espanha vai assegurar esta operação por razões "humanitárias, éticas e morais", face a "uma situação sanitária grave" com pessoas que precisam de ajuda, mas também por "obrigações jurídicas internacionais", atendendo a convénios e tratados assinados pelo país e a que há 14 espanhóis a bordo do navio.

A ministra da saúde, Monica García, acrescentou que todo o processo será coordenado ao abrigo do mecanismo europeu de proteção civil, que Espanha já ativou, envolvendo a OMS e o Centro Europeu para a Prevenção e Controlo de Doenças (ECDC), e com "todas as garantias de segurança necessárias", tanto a nível da atenção médica que possa ser necessária como das transferências e transporte de pessoas, que ocorrerão sem contacto com a população local das Canárias.

Os dois ministros explicaram que, neste momento, todas as pessoas a bordo do cruzeiro estão sem sintomas de infeção com hantavírus e que à chegada às Canárias serão de novo examinadas. Se não exigirem nesse momento atenção médica, serão repatriadas.

Quanto aos 14 espanhóis a bordo do navio, serão examinados e transferidos num avião militar para um hospital militar em Madrid, onde deverão ficar de quarentena por um período que pode chegar a 45 dias, o tempo de incubação do hantavírus, disse Mónica García.

O acolhimento do barco nas Canárias está a ser alvo de polémica em Espanha, com o governo regional das ilhas a considerar que não há motivo para esta operação de desembarque e repatriamento das pessoas a bordo não ser feita em Cabo Verde.

O presidente do Governo regional, Fernando Clavijo, disse também desconhecer que tipo de acordo foi feito com a Organização Mundial da Saúde (OMS), a situação sanitária a bordo ou que estirpe do vírus está em causa.

Os dois ministros asseguraram hoje que o Governo central tem estado em contacto com o executivo regional, a quem continuarão a ser transmitidas todas as informações sobre esta operação.

Foram confirmados até agora dois casos de infeção com hantavírus e outros cinco suspeitos no barco que está desde domingo em águas de Cabo Verde. Três pessoas que viajavam no cruzeiro morreram.

O hantavírus provoca uma infeção respiratória.

O navio, com 149 pessoas (88 passageiros) de 23 nacionalidades fazia a rota entre Ushuaia, na Argentina, de onde saiu a 20 de março, e as ilhas Canárias, com paragens no Atlântico Sul para turismo de observação da vida selvagem.

Segundo a OMS, os relatos de doença a bordo foram recebidos entre 06 e 28 de abril, sobretudo febre e sintomas gastrointestinais, com rápida progressão para pneumonia, síndrome respiratória aguda e choque.

A OMS avalia atualmente como baixo o risco para a população global decorrente deste surto