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Madeira alcança a mais baixa taxa de desemprego do país

No 1.º trimestre de 2026, segundo o Inquérito ao Emprego divulgado pelo INE, apenas 4,5% da população activa não tinha trabalho

Foto Shutterstock
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Em Portugal, o desemprego subiu ligeiramente face ao trimestre anterior, mas continua a melhorar em termos homólogos. A Região Autónoma destaca-se com a maior descida anual de todo o território nacional, menos 2,2 pontos percentuais

A Região Autónoma da Madeira (RAM) encerrou o 1,º trimestre de 2026 com um desempenho sem precedentes no mercado de trabalho. Segundo os dados divulgados pela Direção Regional de Estatística da Madeira (DREM), com base no Inquérito ao Empego elabora pelo INE, a taxa de desemprego fixou-se em 4,5% — um mínimo histórico na série iniciada em 2011 —, num momento em que a população empregada atingia também um máximo histórico pelo quarto trimestre consecutivo, quase 136 mil).

É a primeira vez, desde que existe série estatística (2011), que a taxa de desemprego na Madeira desce abaixo dos 4,5%. Em simultâneo, a população empregada (135,9 mil pessoas) e a população activa (142,3 mil) atingem os valores mais elevados de sempre.

A população desempregada na Madeira foi estimada em 6,4 mil pessoas, uma redução de quase 30% face ao primeiro trimestre de 2025 (–29,7%) e de cerca de 8% em relação ao trimestre anterior (–7,9%). A DREM sublinha que esta contração do desemprego é transversal a todos os indicadores: também a subutilização do trabalho — que agrega desempregados, subempregados involuntários e inativos que gostariam de trabalhar — diminuiu 21,4% em termos homólogos, abrangendo 12,2 mil pessoas, com uma taxa de 8,5%.

A população inactiva caiu para 120,5 mil pessoas, menos 2,9% do que no mesmo período do ano anterior e menos 1,8% do que no trimestre precedente — indicando que mais residentes estão a entrar no mercado de trabalho, contribuindo para o novo máximo histórico da população activa (142,3 mil).

Do universo dos 135,9 mil empregados, 19,3 mil trabalharam a partir de casa, com as mulheres a apresentar uma maior proporção de trabalho remoto (16,2%) do que os homens (12,2%). A taxa de actividade feminina fixou-se em 58,3%, ficando 9,1 pontos percentuais abaixo da taxa masculina (67,4%), embora ambas tenham crescido face ao período anterior.

Troca com a região Centro

No panorama regional, a Madeira destaca-se de forma inequívoca. Com 4,5%, a RAM registou a menor taxa de desemprego entre todas as nove regiões NUTS II do país - 1,6 pontos abaixo da média nacional (6,1%) —, e foi simultaneamente a única região autónoma a reduzir o desemprego tanto em termos trimestrais como anuais.

Os Açores, a outra região autónoma, registou uma taxa de 5,4%, mas agravaram ligeiramente face ao trimestre anterior (+0,3 p.p.). A diferença entre as duas regiões insulares alargou-se para 0,9 pontos percentuais, favorável à Madeira.

Em termos anuais — a comparação mais estrutural, por eliminar efeitos sazonais —, a Madeira registou a maior queda de desemprego do país: –2,2 pontos percentuais. Segundo a DREM, trata-se de uma descida sem paralelo nas restantes regiões. A segunda maior redução anual foi registada na Península de Setúbal (–1,7 p.p.), seguida pelo Algarve (–1,4 p.p.) e pelo Norte (–0,8 p.p.). As regiões de Oeste e Vale do Tejo, Alentejo e Açores registaram descidas mais modestas (–0,3 p.p. cada), e o Centro praticamente não se alterou (–0,1 p.p.). A Grande Lisboa foi a única região onde o desemprego aumentou em termos homólogos (+0,6 p.p.), atingindo os 7,4%.

Há apenas um ano, a Madeira tinha um desemprego ligeiramente superior à média nacional (6,7% vs. 6,6%). Ao longo de 2025, a região foi ganhando distância positiva, e no arranque de 2026 — quando Portugal registou um ligeiro agravamento sazonal (+0,3 p.p.) — a Madeira contrariou a tendência e continuou a descer (–0,4 p.p.), alargando o diferencial para 1,6 pontos percentuais.

No que respeita à variação face ao trimestre anterior, o padrão nacional foi de agravamento generalizado — reflexo habitual da sazonalidade do início do ano. A Grande Lisboa registou o maior aumento trimestral (+1,6 p.p.), seguida do Algarve (+1,4 p.p.), do Centro (+0,5 p.p.), do Oeste e Vale do Tejo (+0,4 p.p.) e dos Açores (+0,3 p.p.). O Norte manteve a taxa inalterada. Apenas três regiões conseguiram melhorar face ao trimestre anterior: a Península de Setúbal (–1,2 p.p.), o Alentejo (–0,4 p.p.) e a Madeira (–0,4 p.p.). Neste contexto, a RAM foi, a par do Alentejo, uma das poucas regiões a nadar contra a corrente sazonal.