Cerca de 70 mortos em dois ataques com drones
Cerca de 70 pessoas morreram no Sudão em dois ataques com drones, na sexta-feira e no sábado no Cordofão, uma das regiões onde a guerra é mais intensa naquele país, anunciaram hoje uma ONG e um responsável local.
De acordo com a Organização Não Governamental (ONG) Emergency Lawyers, grupo independente que documenta o conflito no Sudão, no sábado, oito crianças e duas mulheres morreram num ataque de um drone, que caiu na aldeia de Kadam, no estado do Cordofão Ocidental.
As vítimas fugiam de uma zona do Cordofão do Sul "em busca de segurança", segundo a ONG, que vê no ataque uma "extensão da violência às zonas onde se refugiam os deslocados, estimados em 11 milhões, após mais de três anos de guerra pelo poder entre o exército regular e os paramilitares das Forças de Apoio Rápido (FSR).
A ONG não especificou qual das partes foi responsável pelo ataque, indicando apenas que aconteceu "numa zona civil onde não há operações militares".
Além disso, um chefe de uma tribo relatou à Agencia France Presse um outro ataque com drones, na sexta-feira, no estado do Cordofão do Norte, que causou 57 mortos na aldeia de Al-Murra.
O responsável atribuiu este ataque aos paramilitares.
Organização Internacional para as Migrações da Organização das Nações Unidas (ONU) anunciou hoje que 160 pessoas foram retiradas de Al-Murra durante a semana por motivos de segurança.
Os drones têm vindo a ganhar cada vez mais importância neste conflito, permitindo que os dois lados realizem ataques por todo o país, mantendo as suas tropas, já bastante reduzidas, longe das linhas da frente.
Entre janeiro e abril, pelo menos 880 civis foram mortos em ataques com drones, segundo a ONU.
A entrar no quarto ano, a guerra no Sudão, que causou mais de 200.000 mortos, gerou o que a ONU descreve como a pior crise humanitária do mundo.