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Madeira

Dívida financeira do sector empresarial público da Madeira cai 40%

Foto Shutterstock
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O Sector Empresarial da Região Autónoma da Madeira (SERAM) fechou o 1.º trimestre de 2026 com indicadores financeiros que mostram uma trajectória de consolidação, com a dívida a cair em todas as frentes e a situação líquida agregada a crescer de forma expressiva. Os dados fazem parte do Relatório SERAM publicado hoje pela Secretaria Regional das Finanças, com base em informação provisória de 18 das 19 empresas relevantes (o SESARAM não foi incluído por não ter disponibilizado os dados em tempo útil).

A leitura mais marcante do relatório é a queda da dívida financeira total em 240,4 milhões de euros, o que representa uma redução de 40,3% relativamente ao período homólogo de 2025. As empresas públicas regionais foram responsáveis por 223,5 milhões de euros dessa descida (-40,5%), com a EEM, os Horários do Funchal, a Viaexpresso, a APRAM e o IHM a liderarem as reduções por via da liquidação de financiamentos bancários. As empresas participadas regionais contribuíram com menos 16,9 milhões de euros (-37,9%), essencialmente através da Viaexpresso, que tem vindo a amortizar progressivamente o financiamento contratado. A dívida comercial recuou igualmente 8,3 milhões de euros (-7,1%), com a EEM a ser a principal responsável pela diminuição das responsabilidades perante fornecedores.

A redução do passivo total foi ainda mais ampla: 290 milhões de euros a menos (-22,2%), em grande parte explicada pela conversão em prestações acessórias dos suprimentos que as quatro Sociedades de Desenvolvimento (SDPO, SDNM, SDPS e SMD) detinham junto da Região, num total de 175,3 milhões de euros. Esta operação, combinada com a chamada operação harmónio a que essas sociedades foram sujeitas em 2025, que consistiu na redução do capital a zero para absorção de prejuízos e subsequente recapitalização, teve impacto directo na melhoria da situação líquida do sector. O capital próprio agregado do SERAM cresceu 288,2 milhões de euros (+24,5%), com o rácio de autonomia financeira a subir 11,7 pontos percentuais face a Março de 2025, fixando-se nos 59,1%. O ‘debt to equity’ passou de 0,5 para 0,2, o que traduz uma estrutura financeira significativamente menos alavancada.

No plano operacional, os gastos reduziram-se 4,1 milhões de euros (-5,1%), sobretudo por via da descida nos custos das mercadorias vendidas e matérias consumidas, onde a EEM registou a maior quebra (-4 milhões de euros), reflexo da evolução dos preços dos combustíveis e consumos energéticos. Em sentido contrário, os gastos com pessoal subiram 1,7 milhões de euros (+6%), com a ARM a contratar mais 32 trabalhadores e a ser a empresa com maior crescimento em número de efetivos. O SERAM empregava 3.148 pessoas no final de Março, mais 32 do que no mesmo período do ano anterior.

Os rendimentos operacionais totais recuaram 4,5 milhões de euros (-3,8%), com as empresas públicas regionais a perderem 6,2 milhões de euros em rendimentos, em grande parte devido à quebra de 4,2 milhões de euros nas vendas da EEM e à redução de 4,3 milhões de euros nos subsídios à exploração recebidos pela APRAM, pelos Horários do Funchal e pela GESBA. As empresas participadas ganharam 1,8 milhões de euros em rendimentos (+13,9%), com a Vialitoral a recuperar terreno depois de um primeiro trimestre de 2025 marcado pela ausência de receitas de janeiro, mês em que a sua concessão esteve momentaneamente sem contrato — situação entretanto resolvida com um aditamento que prorrogou a concessão até julho de 2026.

O resultado líquido agregado do SERAM foi positivo em 3,8 milhões de euros, abaixo dos 4,3 milhões de euros do trimestre homólogo de 2025. Num universo de 18 empresas, exatamente metade (9) registou prejuízos, e a outra metade lucros. A Vialitoral foi a empresa com o maior resultado líquido positivo (1 milhão de euros), seguida da Viaexpresso (575 mil euros) e da MPE (246 mil euros). No lado negativo, a APRAM registou a maior perda (-1,26 milhões de euros), seguida da ARM (-670 mil euros) e da GESBA (-365 mil euros).

Em termos de rentabilidade do capital próprio, ou seja, o retorno gerado para o accionista, a Vialitoral liderou com 25,5%, seguida da SDM (19,7%) e da Viaexpresso (8,8%). Os Horários do Funchal (-6,5%), o CARAM (-4,5%) e a APRAM (-1,4%) foram as que apresentaram rentabilidades negativas mais expressivas.

O investimento total do SERAM no primeiro trimestre foi de 19,8 milhões de euros, uma redução de 34,9% face ao mesmo período de 2025. A EEM foi, destacadamente, a empresa com maior volume de investimento (12,5 milhões de euros), seguida pela ARM (3,7 milhões de euros) e pelo IHM (2,1 milhões de euros). A maior fatia do investimento — 59,5% — foi em ativos fixos tangíveis, enquanto o investimento em ativos intangíveis absorveu 40,3% do total, duplicando face a 2025.