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França proibe entrada de ministro israelita Ben-Gvir no país

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Foto ShutterStock

A França proibiu a entrada no seu território do ministro israelita da Segurança Nacional, Itamar Ben-Gvir, que divulgou um vídeo de ativistas da flotilha com destino a Gaza ajoelhados e com as mãos amarradas.

O anúncio foi feito hoje por Jean-Noël Barrot, ministro da Europa e dos Negócios Estrangeiros de França, na sequência da divulgação do vídeo por Ben-Gvir, que provocou uma onda de indignação internacional.

"A partir de hoje, Itamar Ben-Gvir está proibido de entrar em território francês", anunciou Jean-Noël Barrot na rede social X, denunciando "atos inaceitáveis contra cidadãos franceses e europeus" que viajavam na flotilha "Global Sumud".

Vários ativistas deram nota de "violências", "abusos" e "humilhações" que lhes terão sido infligidas pelas forças israelitas durante a sua detenção.

Entre os participantes nesta flotilha para Gaza estavam dois portugueses que afirmaram à chegada a Portugal terem sido "muito maltratados" pelas autoridades israelitas.

 "Fomos espancados sistematicamente. Fomos obrigados a permanecer de joelhos durante horas. Houve pessoas no barco-prisão que foram baleadas, outras sofreram fraturas. Eu, apesar de tudo, tive sorte: não levei nenhum tiro nem parti nenhum braço", contou Beatriz Bartilotti que juntamente com Gonçalo Dias integrou esta flotilha.

"Desaprovamos a iniciativa desta flotilha, que não produz qualquer efeito útil e sobrecarrega os serviços diplomáticos e consulares", acrescentou o ministro francês, sublinhando, no entanto: "Mas não podemos tolerar que cidadãos franceses possam ser assim ameaçados, intimidados ou maltratados, ainda por cima por um responsável público".

Estes atos "vêm na sequência de uma longa lista de declarações e ações chocantes, de incitamentos ao ódio e à violência contra os palestinianos", prosseguiu o ministro Jean-Noël Barrot.

"Tal como o meu colega italiano, peço à União Europeia que imponha igualmente sanções a Itamar Bem-Gvir", exortou.

A proibição de entrada do ministro israelita nos seus países havia sido já tomada também pelos governos de Espanha, Países Baixos e Eslovénia.

Na sexta-feira, foi o próprio secretário-geral da ONU, António Guterres, a expressar preocupação com o "tratamento humilhante" dado por Israel aos ativistas da flotilha com destino a Gaza e pediu responsabilização por esses atos.

"Estamos muito preocupados com estes relatos, principalmente os das pessoas que foram detidas. Mas, como sabem, basta ver o vídeo publicado por um ministro israelita, que mostra o tratamento humilhante dado às pessoas detidas", afirmou o porta-voz de Guterres, Stéphane Dujarric, ao ser questionado sobre os abusos relatados por alguns dos participantes da missão humanitária, intercetada no início desta semana por Israel em águas internacionais.

Um vídeo publicado pelo ministro da Segurança Nacional israelita, Itamar Ben-Gvir, suscitou uma onda de indignação internacional, levando mesmo o Governo italiano, liderado por Giorgia Meloni, a pedir à União Europeia a adoção de sanções contra esse ministro de extrema-direita.

No vídeo, Ben-Gvir ridiculariza ativistas da flotilha, que, no porto de Ashdod, para onde foram levados após a captura em águas internacionais, foram forçados a ajoelhar-se, de rosto no chão, vendados e algemados, enquanto o ministro lhes dizia "Bem-vindos a Israel" e sugeria ao primeiro-ministro Benjamin Netanyahu que o deixasse manter detidos por mais tempo os "aspirantes a heróis" para terem o mesmo tratamento que os "terroristas palestinianos".

Até mesmo o embaixador norte-americano em Israel, Mike Huckabee, afirmou que Bem-Gvir "traiu a dignidade da sua nação" com ações "desprezíveis", num movimento sem precedentes.