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Centro europeu admite que "permanecem muitas incertezas" sobre o surto

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Foto EPA/ELTON MONTEIRO

O Centro Europeu para a Prevenção e Controlo de Doenças (ECDC) admitiu hoje que ainda existem "muitas incertezas" sobre o surto de hantavírus e enviou um especialista para o navio de cruzeiro onde foram detetadas as infeções.

"Permanecem ainda muitas incertezas em relação a esse surto de hantavírus e é importante que adotemos uma abordagem preventiva, nesta fase, para reduzir a probabilidade de nova transmissão", afirmou a diretora do centro europeu.

Citada em comunicado, Pamela Rendi-Wagner adiantou que um especialista do ECDC está a bordo do navio afetado para obter mais informações, no âmbito do esforço para investigar o surto e coordenar a resposta de saúde pública em conjunto com vários países europeus.

Com base nos dados atuais, o ECDC salientou que o risco para a população geral na Europa permanece muito baixo, não esperando uma transmissão em larga escala.

"Qualquer transmissão provavelmente permanecerá limitada devido à natureza do contacto necessário e às medidas de prevenção e controle de infeções em vigor a bordo e durante o desembarque, além do acompanhamento adicional", avançou o comunicado.

Um relatório de avaliação de risco do centro europeu, hoje divulgado, adianta que a bordo do MV Hondius estavam 149 pessoas de 23 nacionalidades diferentes, incluindo de nove países europeus, Bélgica, França, Alemanha, Grécia, Irlanda, Holanda, Polónia, Portugal e Espanha.

Até hoje, um total de sete pessoas apresentaram febre, sintomas respiratórios e gastrointestinais, com pelo menos quatro progredindo rapidamente para pneumonia, dificuldade respiratória aguda e choque. Dessas sete pessoas, três morreram.

O ECDC admite como hipótese que alguns passageiros tenham sido expostos à estirpe dos Andes na Argentina antes de embarcar e podem ter transmitido o vírus para outros passageiros já bordo do navio de cruzeiro.

"Neste estágio inicial da investigação, com informações limitadas disponíveis, consideramos todos a bordo do navio como contactos próximos, devido ao ambiente fechado e às áreas sociais e atividades compartilhadas, alinhadas com o princípio da precaução", referiu a agência da União Europeia.

Segundo a Ordem dos Farmacêuticos, os hantavírus são vírus zoonóticos, caracterizados por infetar roedores, e diferentes espécies circulam na Europa, na Ásia e no continente americano.

Embora tenham sido identificadas numerosas espécies de hantavírus, apenas algumas estão associadas a infeção humana, nos quais podem causar doença grave, cujas manifestações clínicas dependem do tipo de vírus, que difere entre zonas geográficas.

A transmissão entre humanos só foi confirmada, até à data, para o vírus Andes, existente no continente sul americano, e constitui uma via de contágio incomum, adiantou a ordem, referindo que não existe tratamento antiviral específico nem vacina para a infeção por hantavírus.

O tratamento é sobretudo de suporte clínico, centrando-se na monitorização rigorosa e no controlo das complicações respiratórias, cardíacas e renais.

O navio Hondius voltou a navegar e deixou as imediações do porto da Praia, Cabo Verde, pelas 16:10 (18:10 em Lisboa) de hoje, prevendo-se que chegue às ilhas Canárias dentro de três dias e que as pessoas a bordo sejam retiradas e repatriadas ao abrigo do mecanismo europeu de proteção civil, disse o Governo de Espanha.

O navio fazia a rota entre Ushuaia, na Argentina, e as ilhas Canárias, durante todo o mês de abril, com paragens no Atlântico Sul para turismo de observação da vida selvagem.