Mais de uma centena de laureados pedem libertação da Nobel da Paz iraniana Narges Mohammadi
Mais de 110 laureados com o Prémio Nobel exigiram hoje a libertação "total e incondicional" da ativista iraniana Narges Mohammadi, depois das autoridades iranianas a terem transferido no domingo para um hospital em Teerão pelas suas "múltiplas doenças".
"O acesso a tratamento médico oportuno e adequado não é apenas uma necessidade humanitária, mas uma obrigação fundamental segundo as normas internacionais de direitos humanos", afirmaram os laureados em diversas categorias do Nobel, numa declaração conjunta publicada pela fundação Narges Mohammadi.
Os signatários realçaram que existe "informação fiável" que indica que a saúde da Prémio Nobel da Paz de 2023 é crítica, apresentando perda significativa de peso, pressão arterial instável e sintomas cardíacos graves.
"A sua situação desenvolve-se numa altura em que a população civil do Irão enfrenta o impacto combinado do aumento das tensões regionais e da intensificação da repressão interna, o que levanta sérias preocupações sobre a sua segurança, saúde e direitos fundamentais", referiram.
Mohammadi foi detida a 12 de dezembro de 2025 num evento em memória do advogado e ativista dos direitos humanos Josrou Alikordi, que tinha sido encontrado morto uma semana antes em "circunstâncias estranhas".
Dois meses depois, foi condenada a mais 7 anos e meio de prisão e dois anos de exílio interno
A ativista iraniana iniciou uma greve de fome em fevereiro para protestar contra as condições da sua detenção.
Narges Mohammadi já tinha sido detida anteriormente, sendo libertada sob fiança em dezembro de 2024, após um pedido médico aprovado pelo Ministério Público de Teerão.
Na declaração hoje divulgada, os laureados signatários reafirmaram que "todos os detidos pelo exercício pacífico dos seus direitos fundamentais têm direito à plena proteção destes direitos, incluindo o acesso a cuidados médicos adequados e o devido processo legal" e "aqueles que são detidos por estes motivos devem ser libertados".
Para a ativista norte-americana de direitos humanos Jody Williams, vencedora do Prémio Nobel da Paz de 1997 e uma das signatárias da declaração, "Mohammadi nunca deveria ter sido deixada à beira da morte sem receber cuidados médicos especializados".
"Ninguém, em lado nenhum, deveria ser preso por protestar pacificamente ou por defender os direitos humanos", argumentou, apelando à comunidade internacional para "se manifestar".
Por sua vez, a laureada liberiana com o Prémio Nobel da Paz 2011 Leymah Gbowee considerou que Mohammadi "inspirou pessoas em todo o mundo", defendendo que a sua coragem não pode custar "a dignidade humana básica ou os cuidados médicos".
Entre os signatários da declaração contam-se nomes como o do bispo timorense Carlos Felipe Ximenes Belo, o do escritor J. M. Coetzee, o da advogada iraniana Shirin Ebadi, o do jornalista russo Dmitri Muratov, o da escritora Annie Ernaux, o do físico russo-britânico Konstantin Novoselov, o do físico Roger Penrose, o biólogo Victor Ambros, bem como Harvey J. Alter, Michael Houghton e Charles M. Rice, que receberam o prémio pela descoberta do vírus da hepatite C em 2020.