Secretário-geral da NATO otimista com futuro da organização e elogia papel de Trump
O secretário-geral da NATO afirmou-se hoje "extremamente otimista" quanto ao futuro da organização, "por causa" do papel do Presidente norte-americano no aumento do investimento em defesa, desvalorizando as ameaças de saída dos Estados Unidos.
Questionado numa conferência de imprensa durante um encontro com o primeiro-ministro de Montenegro, Milojko Spjic, como vê o futuro da NATO depois de a Casa Branca ter questionado o nível de compromisso dos Estados Unidos com a Aliança Atlântica, Mark Rutte minimizou a situação, dizendo que, sem Donald Trump, os restantes países não teriam aumentado os gastos em Defesa.
"Quanto ao futuro da NATO, estou extremamente otimista. E estou por causa do Presidente Trump, porque vejam o que aconteceu no ano passado", disse.
Rutte salientou que até 2025 todos os Estados-membros, incluindo grandes economias como Canadá, Espanha, Bélgica e Itália, aumentaram os gastos com defesa para 2% do respetivo produto interno bruto (PIB).
Para o secretário-geral, "a reeleição do Presidente Trump desempenhou um papel muito importante nisto", já que a NATO como um todo também concordou na última cimeira em Haia "avançar para 5% dos gastos em defesa, incluindo 3,5% para defesa básica".
"Penso que se pode dizer que a NATO está extraordinariamente forte neste momento e que está a implementar todas as decisões tomadas em Haia. Estamos a caminhar para a cimeira de Ancara (Turquia), que se centrará fortemente na Ucrânia, em mantê-la o mais forte possível, mas também em transformar este dinheiro nas capacidades críticas que precisamos de desenvolver", acrescentou.
Rutte afirmou que a base industrial de defesa da NATO "é excelente", mas avisou que "não produz o suficiente, nem nos Estados Unidos nem na Europa".
"É um problema comum que enfrentamos e no qual temos de trabalhar em conjunto com as nossas indústrias de defesa de ambos os lados do Atlântico", advertiu.
Desde o primeiro mandato na Casa Branca (2017-2021), Trump tem ameaçado por várias vezes retirar o país da Aliança Atlântica, que apelidou de "tigre de papel", criticando os países-membros da NATO por não terem permitido o uso de bases nos respetivos territórios durante os ataques dos EUA e Israel contra o Irão, lançados no final de fevereiro.
Em concreto, Trump ameaçou suspender Espanha da organização, o que os estatutos não permitem.