Livro revela papel das danças populares na sociedade madeirense
Publicação sobre Maria Eugénia Rego Pereira, professora de danças populares, será lançado amanhã
O livro "Maria Eugénia Rego Pereira - Professora de Danças Populares do Arquipélago da Madeira", da autoria de Danilo Fernandes, presidente do Grupo de Folclore e Etnográfico da Boa Nova, vai ser lançado amanhã, sexta-feira, 8 de Maio, pela 17h00, no Auditório do Arquivo e Biblioteca da Madeira, no Funchal. Um livro que, segundo o mesmo, vem revelar um tema escondido no passado, o papel que esta actividade teve na sociedade madeirense.
De acordo com o autor, "no ano de 2022, a Direção da AFERAM – Associação de Folclore e Etnografia da Região Autónoma da Madeira – propôs-nos a realização de um estudo, bem como a sua publicação, sobre as origens e a fundação dos grupos folclóricos da nossa região, incluindo um breve historial dos mesmos. Sendo este tema uma das nossas áreas específicas de investigação, aceitámos o desafio".
Para o concretizar, "tornou-se necessário aprofundar o processo de ensino das danças populares anterior ao surgimento dos chamados grupos folclóricos organizados. Importa referir que já havíamos abordado esta temática em investigação anterior, publicada em 1999 sob o título 'O Folclore em Eventos Sociais entre 1850 e 1948', na qual surgiam referências pontuais a duas professoras de dança", conta.
Face a estas indicações, "tornou-se imperativo proceder ao seu aprofundamento, com o intuito de revelar e valorizar o contributo histórico dessas ilustres personalidades, pioneiras no ensino das danças populares do Arquipélago da Madeira, cujo trabalho foi posteriormente ocultado durante o período do Estado Novo e pelos seus cúmplices, em resultado de dinâmicas ideológicas e institucionais", continua Danilo Fernandes.
Continuando nessa linha de investigação, "publicámos, em 2024, uma obra dedicada a Elisa da Costa e Silva de Afonseca, reconhecida como a primeira professora de danças populares na região" e, agora, continua com "uma nova publicação centrada em Maria Eugénia Rego Pereira, cuja ação assegurou a continuidade e consolidação do trabalho desenvolvido pela sua antecessora e mentora", explica.
Desta forma, refere o autor, "com estas duas obras, desfaz-se o mito criado por campanhas desdenhosas e fraudulentas em torno de um passado de grande relevância para o ensino e a divulgação das nossas danças campestres, o qual foi deliberadamente deturpado e cujo erro se perpetuou até à atualidade", lamenta.
"Ao longo de quarenta anos, durante os quais estas professoras desempenharam um papel central no ensino e na orientação artística, destacam-se diversos espetáculos realizados no Teatro Municipal, enquadrados em momentos históricos de particular relevância", identifica. "Importa ainda salientar que estas aprendizagens e espetáculos eram protagonizados por membros da classe social funchalense mais abastada (aristocracia e burguesia), formados por professoras de dança de reconhecido mérito", revela.
Resumindo, "com esta publicação, conclui-se um estudo sobre uma realidade que foi, propositadamente, omitida durante o período do Estado Novo e por Carlos Maria Santos", acusa Danilo Fernandes. "E para concluir, importa salientar que, na qualidade de coreógrafa, Eugénia Rego Pereira não só logrou dinamizar as danças populares (referidas neste volume), como também diversas vertentes da dança, nomeadamente as danças históricas, eruditas, contemporâneas e de salão, conferindo-lhes a devida valorização no contexto dos espetáculos por si concebidos, os quais serão integrados no segundo volume", anuncia desde já.