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Explicador Madeira

Os enxames que mexem o Mundo

Sismos andam por vezes juntos como abelhas. Saiba o que são e o que significam

Uma imagem do  Instituto Português do Mar e da Atmosfera com a actividade sísmica.
Uma imagem do  Instituto Português do Mar e da Atmosfera com a actividade sísmica.

12 sismos foram registados na zona do Arquipélago da Madeira no último mês, são pequenos tremores de terra, geralmente nem sentidos pela população, o mais recente foi esta madrugada, 2,5 de magnitude na escala de Richter, a Noroeste do Porto Santo, a dez quilómetros de profundidade. Estes eventos vêm se repetindo, sendo particularmente frequente nos Açores. O arquipélago vizinho registou, no mesmo período, 70 sismos, o mais alto deles de 4,9, no dia 18 de Abril, sendo que o Instituto Português do Mar e da Atmosfera apenas torna públicos os sismos sentidos ou com magnitude igual ou superior a 2.0 na escala de Richter. Mas estão longe poe exemplo dos 320 sentidos num dia no Havai, sequências de abalos que os especialistas designam por enxame sísmico.

Mas o que é então um enxame sísmico? Um enxame sísmico é uma sequência de vários sismos de pequena ou média magnitude que ocorrem numa mesma zona, num curto período de tempo, que pode ir até meses, sem que exista um sismo principal claramente identificado.

Geralmente associamos a actividade sísmica a um evento principal seguido de réplicas. Num enxame sísmico registam-se vários abalos de intensidade semelhante, sem uma hierarquia evidente entre eles.

Estas sequências de pequenos e médios sismos num local e num curto período são evidências de um sistema geológico ainda activo. No caso da Madeira e dos Açores é indissociável da origem vulcânica dos arquipélagos. Resultam de ajustamentos das rochas em profundidade, da movimentação de magma ou gases e da libertação de tensões acumuladas no subsolo.

Na maior parte dos casos, os enxames sísmicos não são perigosos. Mesmo que sejam sentidos não são sismos que causam danos nem são prenúncio de algo maior que está para acontecer. Mas é possível serem seguidos de um sismo maior, ainda que raro.

Um exemplo referido para estas situações de excepção foi o sismo de L’Aquila em Abril de 2009, em Itália, que teve epicentro na cidade, atingiu os 6,9, tendo provocado 309 mortos e 1600 feridos. Nas semanas anteriores registaram-se centenas de pequenos sismos na região. Ainda assim a ligação entre os dois fenómenos não é consensual.

Outro exemplo mais próximo foi em Canárias, em El Hierro. Em 2011 foram notícia os milhares de pequenos sismos ao longo de semanas que culminaram com uma erupção submarina, sem consequências maiores. Entre Julho e Outubro a terra tremeu naquela ilha quase dez mil vezes.

O facto de normalmente os enxames não evoluírem para eventos significativos, por outro lado, limita a sua utilidade como ferramenta de previsão. Mas ainda assim não podem ser ignorados pelas autoridades.

Há pouco mais de um ano, em Fevereiro de 2025, na Grécia, o laboratório de sismologia da Universidade de Atenas identificou mais de 12.800 tremores em Santorini e foi notícia as onze mil pessoas que deixaram o local, por precaução.

E se hoje parecem ser mais frequentes estes pequenos e médios sismos deve-se a uma rede mais alargada de estações de monitorização e maior atenção mediática dada a estes fenómenos naturais.

Quando de fala de abalos, importa saber que os terramotos têm magnitude e intensidade. A magnitude mede a quantidade de energia libertada, é um valor único para cada sismo, é calculada com base nos registos dos sismógrafos e não depende do local. Um sismo de magnitude 2,5 é sempre de 2,5, esteja alguém perto ou longe. Usa geralmente a escala de Richter. Já a intensidade é o que se sente e os efeitos num determinado local. Varia de sítio para sítio, depende da distância ao epicentro. Pode ser forte nesta zona e fraca a dezenas de quilómetros. É usada a Escala de Mercalli.

Voltando à magnitude, a escala de Richter mede a amplitude das ondas sísmicas geradas por um terremoto. A cada aumento de um ponto na escala representa um aumento de dez vezes na amplitude das ondas. Um sismo de magnitude 5 regista ondas cerca de 10 vezes maiores do que um de magnitude 4. Mas liberta cerca de 32 vezes mais energia, daí que um sismo ‘só’ um grau acima é, potencialmente, muito mais destrutivo.

A partir de magnitude 6 os terramotos são considerados fortes e causam geralmente danos significativos, especialmente quando se trará de zonas povoadas.