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PTRR prevê 500 milhões de euros para armazenamento de energia

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Foto ANTÓNIO PEDRO SANTOS/LUSA

O Governo prevê pelo menos 4.663 milhões de euros para o setor da energia no PTRR, incluindo 500 milhões para reforçar o armazenamento elétrico, sobretudo hídrico, através de sistemas de bombagem.

A medida dedicada ao armazenamento tem "particular enfoque no armazenamento hídrico através de sistemas de bombagem", atendendo à sua "relevância estrutural para a gestão de grandes volumes de energia renovável", segundo o documento do programa Portugal Transformação, Recuperação e Resiliência (PTRR).

Este reforço será complementado por soluções de armazenamento eletroquímico, como baterias, com "um papel mais direcionado para a resposta rápida e a prestação de serviços de sistema".

De acordo com o documento, a medida pretende reforçar a "flexibilidade, segurança e eficiência do sistema energético" e contribuir para uma melhor gestão da variabilidade da produção renovável.

Além do armazenamento, o PTRR prevê 100 milhões de euros para autoconsumo coletivo e comunidades de energia renovável, incluindo a integração de baterias como complemento à produção descentralizada.

O programa inclui ainda 63 milhões de euros para valorizar recursos endógenos e reduzir a dependência de importações energéticas, abrangendo o conhecimento geológico, matérias-primas críticas e o desenvolvimento do biometano.

A maior fatia do pacote energético corresponde aos 4.000 milhões de euros previstos para reforçar e modernizar as redes elétricas e de gases, incluindo hidrogénio, investimento que já tinha sido anunciado.

Os montantes já estavam previstos no âmbito dos Planos de Desenvolvimento e Investimento das Redes de Distribuição de Eletricidade (PDIRD-E) e de Gás (PDIRD-G), implementados pela E-redes e pela REN, "podendo ser complementado por instrumentos europeus dirigidos a projetos estruturantes de resiliência, digitalização e reforço da capacidade das redes, nomeadamente ao nível das interligações".

O Governo justifica estas medidas com a necessidade de reforçar a "segurança de abastecimento", a robustez das redes e a autonomia energética do país, num contexto de crises geopolíticas, económicas e climáticas.

O PTRR prevê ainda uma reforma para criar um "teste de stress nacional, periódico e obrigatório", com simulação de cenários climáticos extremos, cibernéticos e geopolíticos, bem como uma plataforma nacional de monitorização em tempo real.

O programa hoje apresentado, vai ter um envelope financeiro global de 22,6 mil milhões de euros e um horizonte temporal de nove anos.

O primeiro-ministro anunciou, em fevereiro, o PTRR, após o comboio de tempestades que atingiu o país, entre janeiro e fevereiro, que provocou, pelo menos, 19 mortes, centenas de feridos e desalojados.

O Conselho de Ministros aprovou, também em fevereiro, as linhas gerais do programa, que assenta em três pilares: recuperar, proteger e responder.