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António Costa classifica de "desordem crescente" estado das relações internacionais

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FOTO HUGO DELGADO/LUSA

O presidente do Conselho Europeu, António Costa, classificou hoje de "desordem crescente" o estado atual das relações internacionais, apontando uma crescente violação da ordem vigente no pós-guerra num mundo cada vez mais multipolar.

Discursando na reitoria da Universidade do Minho, na cidade de Braga, onde marcou presença na celebração do 50.º aniversário do Curso de Licenciatura em Relações Internacionais, o presidente do Conselho Europeu caracterizou as relações internacionais como estando em "desordem crescente".

Identificou duas tendências fundamentais: uma crescente violação da ordem baseada em regras que vigorava desde o pós-guerra, onde "grandes potências violam a paz e perturbam o comércio global" e um mundo que "está a tornar-se cada vez mais multipolar".

"Mais economias emergentes ganham escala, confiança e poder. Mais países de média dimensão aspiram a desempenhar papéis relevantes. É a combinação destas duas tendências -- a erosão do respeito pelo direito internacional e o crescimento da multipolaridade -- que molda o desafio principal para a União Europeia", frisou o antigo primeiro-ministro português.

O presidente do Conselho Europeu questionou depois o papel da União Europeia neste contexto global, resumindo a resposta naquilo que designou de cinco P´s: Princípios, Paz, Prosperidade, Parcerias e Poder.

Quanto aos princípios, segundo António Costa, a União Europeia "deve apoiar sem reservas uma ordem internacional baseada em regras, ancorada nos princípios da Carta das Nações Unidas, na defesa dos direitos humanos, da resolução pacífica dos conflitos, do respeito pela soberania dos Estados, e da estabilidade das fronteiras reconhecidas internacionalmente".

"As Nações Unidas devem ser reformadas, mas não podem ser substituídas. Devem permanecer como a pedra angular do sistema multilateral, porque são o único fórum com legitimidade universal e com o poder capaz de sustentar uma cooperação multilateral efetiva", defendeu o presidente do Conselho Europeu.

O presidente do Conselho Europeu manteve o compromisso de, "enquanto principal doador de ajuda internacional no mundo, bem como das principais agências das Nações Unidas, " de continuar a "assumir a liderança na solidariedade global, especialmente nestes tempos em que o sistema da ONU enfrenta graves constrangimentos financeiros".

"Porque o oposto da cooperação é o conflito, o oposto das regras é o caos, e caos gera apenas mais violência. Caos que é visível na Ucrânia, no Médio Oriente, em Gaza ou no Sudão. Estes conflitos não ameaçam apenas a paz; ameaçam a prosperidade dos nossos cidadãos e a estabilidade global. É por isso do nosso interesse garantir que o mundo continua cooperativo e baseado em regras aceites por todos", salientou António Costa.

Quando à paz, Costa lembrou que a paz "está no ADN da União Europeia"

"Por isso, desde o primeiro dia da invasão da Ucrânia pela Rússia, a União Europeia apoiou o país, política, financeira, diplomática e militarmente, e continuará a fazê-lo até que se alcance uma paz justa e duradoura", vincou.

António Costa defendeu "um roteiro assente numa transição energética, que reduza as dependências de energias fósseis, projete as energias renováveis e continue a fazer da luta contra as alterações climáticas uma prioridade".

"Mas como já tinha sido evidente com a invasão russa da Ucrânia e agora reforçado com o atual conflito no Médio Oriente e os bloqueios ao estreito de Ormuz, a Europa não pode manter as atuais dependências energéticas, sob pena de adiar a sua autonomia. Temos, contudo, feito um caminho nesse sentido desde 2022, reduzindo drasticamente a dependência energética da Rússia", sublinhou.