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IA, para que te quero?

Não vos parece estranho que a tecnologia digital mais avançada do mundo, a Inteligência Artificial, seja acessível ao cidadão comum e seja gratuita? Que intenções estão por detrás de quem a produz?

A Inteligência Artificial é, grosso modo, um instrumento tecnológico que simula a inteligência humana. Ou seja, é uma tecnologia que recorre à mobilização do conhecimento a partir de dados adquiridos, de modo a resolver problemas específicos. O seu potencial é de uma grandeza imensurável, nas diversas atividades da vida humana.

Não obstante, esta tecnologia tem suscitado muita apreensão, não só pelo impacto ambiental que implica, mas também pelos desafios que desencadeia, em termos de segurança, emprego, direitos fundamentais e até da inteligência humana.

O ser humano poderá tornar-se tão dependente da IA, que deixará de usar o potencial do seu próprio cérebro e reduzirá a sua capacidade para tomar decisões e regular as suas emoções. No que diz respeito às relações humanas, o problema coloca-se em igual proporção. Há pessoas que recorrem à IA para obter resposta aos seus problemas pessoais. A quem interessa este estado de coisas? Que efeitos poderá ter nas mentes das nossas crianças e jovens que crescem familiarizados com esta tecnologia?

Outra questão que se coloca tem a ver com o manancial de informação disponível no ciberespaço e processada a partir de algoritmos. A IA pode levar a decisões influenciadas por combinação de dados programados que não atendem à dimensão pessoal e humana.

Existe uma ameaça à própria Democracia, na medida em que a IA reduz o espaço para o debate plural, ao fornecer conteúdo semelhante à mesma pessoa, com base nas preferências manifestadas. Isto pode levar à polarização e simplificação do debate público, algo que já se verifica, na verdade. A prática de criação de deepfakes - conteúdos falsos com aparência extremamente realista – representa riscos de reputação e desafiam as tomadas de decisão de forma consciente.

A segurança é outro aspeto que nos deve inquietar, porquanto, no caso de má conceção ou utilização indevida, pode levar à perda de controlo humano.

Depois de nos tornarmos dependentes, estaremos muito mais desprotegidos e mais vulneráveis em relação a pessoas ou entidades mal intencionadas.

Estejamos atentos e saibamos discernir e decidir, com base na ética, sobre os melhores caminhos e decisores mais ponderados, em cujas mãos estará a capacidade de gerir o futuro da humanidade.