DNOTICIAS.PT
País

Esquerda e PAN criticam prioridades do Governo e IL elogia discurso de Aguiar-Branco

Foto ANTÓNIO PEDRO SANTOS/Lusa
Foto ANTÓNIO PEDRO SANTOS/Lusa

Livre, PCP, BE e PAN criticaram hoje prioridades do Governo, sobretudo o pacote laboral, e a IL elogiou o discurso do presidente do parlamento, numa descida da Avenida da Liberdade em que a juventude foi mencionada pelos líderes partidários.

À margem da tradicional marcha na Avenida da Liberdade, em Lisboa, para celebrar a Revolução dos Cravos, o porta-voz do Livre Rui Tavares acusou o executivo de ser de uma "direita muito radicalizada", apesar de uma "falsa moderação" na intervenção do líder parlamentar do PSD, Hugo Soares, na sessão solene, e de um pacote laboral que "só agrada a um dos lados" da negociação.

Para o líder do Livre, a direita, por estar a "ver-se a perder a popularidade", está a tentar avançar apressadamente o máximo de que conseguir de uma "agenda austeritária", inspirada, argumentou, na do antigo primeiro-ministro Pedro Passos Coelho.

Rui Tavares alertou ainda para a necessidade de defender o sistema democrático, considerando que cabe agora aos jovens serem "guardiões da democracia".

"A democracia não é, nunca foi, uma promessa de resolver todos os problemas a toda a gente, mas é de que toda a gente pode contribuir para resolver os nossos problemas", frisou.

Os jovens foram também mencionados pela presidente da IL, Mariana Leitão, que afirmou que os mais novos "anseiam que haja mudanças concretas para que não sejam obrigados a sair" do país e possam ter uma vida melhor do que a geração que os antecedeu.

"Temos de ter essa responsabilidade de dar essas soluções e estar aqui é também uma demonstração de que queremos essa mudança", considerou, insistindo ainda na necessidade de o Governo levar a discussão sobre a lei laboral para a Assembleia da República.

Mariana Leitão fez também elogios ao discurso do presidente da Assembleia da República, José Pedro Aguiar-Branco, na sessão solene, afirmando que foi feito um alerta para "algo muito importante", a necessidade de a classe política "não se fechar em si própria" e não aderir a populismos.

O secretário-geral do PCP, Paulo Raimundo, referiu igualmente a juventude, salientando a presença no desfile dos "filhos e netos da Revolução" que procuram "que cada uma das suas conquistas, cada um dos seus direitos, tenha expressão na sua vida".

O líder comunista defendeu a necessidade de cumprir o que está consagrado na Constituição, como o direito à saúde, habitação e vida digna, e argumentou que "tudo isso é incompatível com o pacote laboral" proposto pelo Governo.

Raimundo disse ainda ter visto, no discurso do Presidente da República, António José Seguro, na sessão solene, uma referência à revisão da lei laboral, embora a questão não tenha sido diretamente mencionada pelo chefe de Estado.

Pelo BE, o coordenador José Manuel Pureza defendeu que para Seguro ser coerente com o que disse no seu discurso, só tem como opção "vetar o pacote laboral", se este for aprovado no parlamento.

"O pacote laboral é um contributo muito relevante para empobrecer a população trabalhadora, quer em termos de direitos, quer mesmo em termos de materiais", criticou.

A porta-voz do PAN, Inês de Sousa Real, desejou que o 25 de Abril "continue bem vivo na memória e dia a dia dos portugueses" e referiu que a presença significativa de juventude na marcha "demonstra precisamente que há jovens que querem assegurar os seus direitos, as suas liberdades".

Sousa Real disse ainda ter visto no discurso de Seguro "vários recados" para o primeiro-ministro, acrescentando que isso "demonstra que tem estado atento às prioridades absolutamente erradas por parte deste Governo".

"Quando assistimos que as prioridades e as reformas que este país tem feito têm sido deitar abaixo bandeiras arco-íris, a lei das burcas, agora o pacote da reforma laboral, estamos a falar em retrocessos", criticou.

Milhares de pessoas iniciaram hoje a marcha para assinalar o 52.º aniversário do 25 de Abril na avenida da Liberdade, em Lisboa, com a presença de todas as gerações, entre uma profusão de reivindicações e cravos vermelhos.