Pelo menos 62.000 deslocados pela seca na Somália, alerta OIM
A seca na Somália já forçou a deslocação de 62.000 pessoas em cinco distritos, podendo afetar até 300.000 em todo o país, alertou hoje a Organização Internacional para as Migrações (OIM).
"A seca é agora responsável por três quartos dos novos deslocamentos" nas áreas mais afetadas, disse Brian Kelly, coordenador principal dos programas da OIM na Somália.
Segundo a organização, os distritos de Baidoa, Dayniile, Kahda, Diinsoor e Doolow, no sul do país, estão entre os mais atingidos, após duas estações chuvosas consecutivas com precipitação insuficiente.
A situação tem provocado "más colheitas e o colapso dos meios de subsistência", agravando a fome e aumentando a pressão sobre infraestruturas já limitadas.
A OIM alertou que "cerca de 125.000 pessoas adicionais poderão ser deslocadas pela seca entre abril e o final de junho, apesar das previsões de chuva".
Muitos deslocados dirigem-se para centros urbanos como Mogadíscio e Baidoa, bem como para campos já sobrelotados, onde o acesso a abrigo, água e serviços essenciais é limitado.
As autoridades de saúde registam também um aumento dos casos de desnutrição, sobretudo entre crianças. Cerca de 1,84 milhões de crianças com menos de 5 anos estão em risco de subnutrição aguda na Somália, incluindo 483.000 em perigo de vida, num contexto agravado pela seca, conflito e aumento dos preços dos alimentos, segundo a Organização Não-Governamental (ONG) World Vision.
De acordo com o Quadro Integrado de Classificação da Segurança Alimentar, cerca de 6,5 milhões de pessoas na Somália encontravam-se em situação de crise entre fevereiro e março deste ano, quase o dobro face ao início de 2025.
Apesar da gravidade da situação, apenas 14% do financiamento necessário para a resposta humanitária foi assegurado até ao momento, segundo a OIM.
A organização lançou recentemente um apelo de 10 milhões de dólares, mas alerta que os recursos são insuficientes para responder às necessidades.
"Sem uma ação rápida, a seca continuará a alimentar as deslocações, a fome e a vulnerabilidade", advertiu Brian Kelly.