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Manada de elefantes invade distrito moçambicano e destrói 10 hectares de culturas

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Uma manada de elefantes invadiu o distrito de Malema, em Nampula, no norte de Moçambique e destruiu pelo menos 10 hectares de culturas em uma semana, disse fonte oficial.

"[Os] animais (...) em menos de uma semana estão a tirar-nos uma colheita de 10 hectares, isto não é pouco", disse António Ipo, diretor do Serviço Distrital de Atividades Económicas de Malema, citado hoje pela televisão pública.

Segundo o responsável, os animais, em número não especificado, invadiram pelo menos dois povoados do distrito, destruindo "parte significativa" das culturas de milho e feijão bóer.

A manada é proveniente da província vizinha do Niassa, também no norte de Moçambique, onde está situada a Reserva Especial do Niassa, a maior área protegida do país, avançou António Ipo.

"Apareceram do lado de Niassa, atravessaram o rio Lúrio e estão cá connosco. São animais de gozo pleno de proteção, são animais que só podemos afugentar numa primeira fase. Por enquanto não temos nenhuma situação de ataque de pessoas, mas a situação anormal é esta de destruição de culturas", referiu o diretor de atividades económicas de Malema.

O responsável alertou para a perda de mais áreas agrícolas enquanto os elefantes permanecerem no distrito.

"Vamos partilhando sempre ao nível do governo provincial para vermos como tratamos desses animais", concluiu.

Os incidentes com animais selvagens são comuns nas zonas rurais em Moçambique e as margens de rios acarretam um risco acrescido, principalmente durante a época das chuvas, ainda em curso no país.

O ministro da Agricultura, Ambiente e Pescas moçambicano, Roberto Albino, reconheceu em 08 de abril o problema do aumento da população de elefantes na África Austral, defendendo uma resposta coordenada a nível regional.

De acordo com dados anteriores da Administração Nacional das Áreas de Conservação (ANAC), os ataques da fauna bravia em Moçambique destruíram, de 2019 a 2023, um total de 955 hectares de culturas agrícolas, como milho e mandioca.

Um relatório do Instituto Nacional de Estatística (INE) moçambicano indicou que, em 2023, o número de mortos devido a ataques de animais selvagens quase triplicou num ano, chegando a 159 vítimas.

Segundo o mesmo relatório, viviam em 2023 no interior das áreas protegidas moçambicanas 205.375 pessoas, em 162 comunidades, às quais se somam 501.737 em 504 comunidades nas zonas tampão a estes parques e reservas.