DNOTICIAS.PT
Guerra no Irão Mundo

10 navios impedidos de sair de portos iranianos

None
Foto Shutterstock

As Forças Armadas norte-americanas anunciaram hoje que impediram 10 navios de sair dr portos iranianos nas primeiras 48 horas do bloqueio imposto à República Islâmica.

"Dez navios foram rechaçados e NENHUM navio conseguiu romper o bloqueio desde que este entrou em vigor na segunda-feira", afirmou o Comando Central dos EUA (Centcom) num comunicado.

Inicialmente, o Centcom tinha noticiado que nove navios tinham sido rechaçados, mas acrescentou um décimo à sua contagem, alegadamente "redirecionado" para o Irão por um contratorpedeiro americano.

No entanto, os dados de rastreio marítimo de terça-feira indicam que pelo menos três navios provenientes de portos iranianos atravessaram o Estreito de Ormuz após o início do bloqueio militar norte-americano, embora alguns tenham regressado posteriormente, segundo o fornecedor de dados marítimos Kpler.

O Estreito de Ormuz, estratégico para o transporte marítimo, particularmente de hidrocarbonetos, está paralisado pelo Irão desde o início dos ataques norte-americanos e israelitas contra este país, a 28 de fevereiro.

Na ausência de um acordo com Teerão para pôr fim ao conflito, os militares norte-americanos anunciaram no domingo que iriam impor o seu próprio bloqueio a "navios de todas as nacionalidades que entram ou saem dos portos e zonas costeiras iranianas" a partir de segunda-feira à tarde.

Em resposta, o chefe das forças iranianas, o general Ali Abdollahi, afirmou que o Irão não vai permitir "nenhuma exportação ou importação no golfo Pérsico, no mar de Omã ou no mar Vermelho".

Um cessar-fogo de duas semanas entrou em vigor em 08 de abril para permitir negociações entre os Estados Unidos e o Irão sob mediação do Paquistão.

Em Teerão, o conselheiro militar do Líder Supremo, Mojtaba Khamenei, ameaçou hoje afundar navios norte-americanos, caso estes tentassem "policiar" o estreito de Ormuz. 

"Os seus navios serão afundados pelos nossos primeiros mísseis, e isso representa um perigo para as forças armadas norte-americanas", ameaçou Mohsen Rezaei, antigo comandante-chefe da Guarda Revolucionária Islâmica --- o exército ideológico do regime --- que foi nomeado conselheiro militar do Líder Supremo no mês passado.

Considerado um linha-dura mesmo dentro da Guarda Revolucionária, Rezaei disse que seria "bom" se os Estados Unidos lançassem uma invasão terrestre, pois assim Teerão faria "milhares de reféns e receberia mil milhões de dólares por cada um deles".

"Não sou de forma alguma a favor do alargamento do cessar-fogo", afirmou à televisão iraniana, sublinhando que se tratava de uma opinião "pessoal". 

A porta-voz da Casa Branca, Karoline Leavitt, afirmou hoje que os Estados Unidos estão a discutir uma possível segunda ronda de negociações com o Irão, novamente no Paquistão, depois do fracasso da primeira ronda no fim de semana.

"Estamos otimistas quanto à perspetiva de um acordo", disse Leavitt.

O Irão recebeu, durante o dia, uma delegação paquistanesa liderada pelo chefe do exército, Asim Munir, que levava uma nova mensagem de Washington para Teerão e também o objetivo de procurar definir futuras negociações.

No final da reunião, os responsáveis iranianos afirmaram que ainda vão tomar uma decisão "sobre a próxima ronda de negociações entre o Irão e os Estados Unidos", noticiou a agência iraniana Tasnim.

A mesma agência assinalou que um cessar-fogo no Líbano ia constituir um "sinal positivo para a decisão do Irão relativamente à próxima ronda de negociações".

Um alto responsável norte-americano, falando à AFP sob anonimato, afirmou mais tarde que o Presidente norte-americano, Donald Trump, acolheria com agrado o fim das hostilidades no Líbano, embora isso não faça parte das negociações com o Irão.

Um possível cessar-fogo entre Israel e o Hezbollah, um grupo pró-Irão, "não é algo que tenhamos solicitado e não faz parte das negociações de paz com o Irão", adiantou a mesma fonte, um dia depois das primeiras conversações diretas entre Israel e o Líbano. 

Uma primeira ronda de negociações em Islamabad, liderada pelo vice-presidente norte-americano JD Vance, fracassou no fim de semana passado, pela intransigência de Teerão em abandonar o programa nuclear, de acordo com Washington. 

Entretanto, o jornal norte-americano The Washington Post noticiou que o Pentágono está a preparar o envio adicional de 4.200 militares para o Médio Oriente.