"Madeira julgou 1.874 crimes" era a manchete da edição deste mesmo dia 23 de Abril de 2000, um domingo com muito para ler e que dava conta das estatísticas da Justiça do ano anterior.
E acrescentávamos em subtítulos: "Os tribunais da Madeira julgaram menos 71 processos do que em 1998", sendo que "o MP pronunciou-se sobre mais de 12.500 inquéritos", isto num ano em que "crescem na RAM os crimes de índole rodoviária" e no interior ainda referíamos que "continuam pendentes mais de 4.300 inquéritos", pendência essa que vinha crescendo, a maioria dos quais crimes contra as pessoas e contra a propriedade.
Sobre o crescimento dos crimes de índole rodoviária, escrevemos na página 12 que “conduzir sobre o efeito do álcool passou a ser crime grave e são raras as semanas em que a PSP não leva automobilistas/"criminosos" à barra para serem julgados em julgamento sumário”.
Já lá vão 26 anos (no casos do balanço, 27 anos), apesar de naturais melhorias, não faltarão casos semanais de situações que ainda hoje acontecem como estes relatados.
Aliás, a embriaguez continua a ser o móbil destes crimes rodoviários e de outros que se praticam intra e extr·a-portas. A esmagadora maioria dos comportamentos violentos passa pelo famoso "copo". In DIÁRIO de 23 de Abril de 2000
Outro assunto que não deixa de actual, ainda que seja admissível muito menor escala do que no passado. “A aumentar está também a violência doméstica, os maus tratos e sobrecarga de menores, incapazes e de cônjuges embora estes crimes sejam, por natureza, difíceis de provar em audiência de julgamento porque ocorrem no seio da família”.
Há pouco tempo, estes crimes deixaram a natureza semipública e passaram a crimes públicos pelo que o MP tem mais espaço para intervir. In DIÁRIO de 23 de Abril de 2000
Assunto, infelizmente sempre actual são as drogas. “A invadir cada vez mais os tribunais madeirenses estão também os crimes que resultam do tráfico e consumo de droga. Estes processos são os que mais contribuem para o abaixamento da média de idades dos arguidos”, explicávamos uma realidade que poderia muito bem ser relatada hoje.
“Os homens cometem mais crimes do que as mulheres e a grande maioria dos delinquentes tem idades inferiores a 30 anos”, pessoas que hoje estarão na meia-idade.
Droga, furto e crimes contra a propriedade são maioritariamente praticados por jovens com carências várias. Se o problema não for estancado resvala para a criminalidade violenta embora, na Madeira, não se possa falar em crime organizado. Sem dados quantitativos esclarecedores mas assente no senso comum parece estar a constatação de que a criminalidade económica está também a crescer na Região. In DIÁRIO de 23 de Abril de 2000
Por fim, “pequenas burlas, fraudes, evasão fiscal, criminalidade informática e crimes afins já começam a dar os seus passos na Região”, o que se pode dizer que foi o início de muito desse tipo de crime que hoje estão na sociedade, muitas vezes com origem fora da Região. “Os crimes mais graves e mais sofisticados ficam na alçada do Departamento Central de Investigação Acção Penal (DCIAP)”, concluímos esta análise que pode ler no anexo em baixo.
Aqui fica toda a edição deste domingo de há 26 anos.