Registo de Saúde do Utente deverá estar operacional até ao final do ano
Nova plataforma digital pretende integrar a informação clínica dos sectores público e privado
Secretária Regional de Saúde destaca que o mecanismo vai permitir gerir melhor as listas de espera
A Secretaria Regional de Saúde e Protecção Civil perspectiva que o Registo de Saúde do Utente (RSU), a nova plataforma digital que pretende integrar a informação clínica dos sectores público e privado, esteja operacional até ao final deste ano.
O projecto entrou na fase de implementação após ter obtido o visto do Tribunal de Contas em Março, conforme revelou esta quarta-feira, 22 de Abril, a secretária regional de Saúde e Protecção Civil, Micaela Fonseca de Freitas, à margem de uma reunião entre o Serviço Regional de Saúde, o Instituto de Administração da Saúde, a Siemens e os prestadores de saúde privados.
A plataforma,- que está a ser desenvolvida pela Siemens e conta com um investimento de 1,8 milhões de euros, financiado de forma mista, através do Plano de Recuperação e Resiliência e de verbas do Orçamento Regional -, permitirá reunir num único sistema os dados clínicos dos utentes, tanto do sector público como do privado. O objectivo é facilitar o acesso à informação médica, melhorar a prestação de cuidados e reforçar a gestão do sistema de saúde.
“O utente vai poder, em qualquer lugar do país e, no futuro, também na Europa, ter acesso aos seus dados e mostrá-los ao profissional de saúde onde estiver a ser assistido, quer no privado quer no público”, explicou Micaela Fonseca de Freitas.
Além de permitir a consulta de informação clínica, a plataforma deverá incluir funcionalidades como a visualização e marcação de consultas. A secretária regional sublinhou que, numa fase inicial, a prioridade é garantir a integração dos dados de saúde.
Entre as vantagens apontadas está também a possibilidade de melhorar a gestão das listas de espera no serviço público de saúde. “Ao cruzar dados do privado com o público, será possível identificar situações em que um utente já realizou um acto clínico no privado e ainda consta em lista de espera no SESARAM”, explicou a governante, apontando que as listas de espera actuais não “correspondem totalmente à realidade”.
O CEO da Siemens em Portugal, Jorge Oliveira, aproveitou a ocasião para constatar que se trata de um projecto inovador no contexto nacional: “A inovação está na complementaridade entre os vários agentes do sistema de saúde, público e privado, e no benefício final para o utente.”
Também a presidente do Instituto de Administração da Saúde, Rubina Silva, sublinhou que a solução permitirá a partilha automática de informação clínica entre diferentes entidades de saúde.
“Se um utente fizer um exame no privado e tiver consulta no público no dia seguinte, o médico poderá consultar essa informação e tomar decisões mais rapidamente”, explicou.
Segundo a responsável, o sistema baseia-se na interoperabilidade entre plataformas informáticas das instituições de saúde, sendo que o acesso aos dados depende do consentimento do utente.
A Região pretende, assim, antecipar as futuras exigências europeias de partilha de dados de saúde, previstas no regulamento do Espaço Europeu de Dados em Saúde, cuja aplicação obrigatória está prevista para 2030.