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Leão XIV adverte para injustiça que corrompe corações e para comércio supersticioso

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O Papa Leão XIV apelou hoje, em Saurimo, no Leste de Angola, à fé em Cristo, alertando que "quando a injustiça corrompe os corações, o pão de todos torna-se propriedade de poucos".

"Com efeito, hoje vemos que muitos desejos das pessoas são frustrados pelos violentos, explorados pelos prepotentes e enganados pela riqueza. Quando a injustiça corrompe os corações, o pão de todos torna-se propriedade de poucos", declarou, na homília que está a proferir na missa que reúne milhares de pessoas na esplanada de Saurimo.

Leão XIV, que se referiu ao "comércio supersticioso, no qual Deus se torna um ídolo que se procura apenas quando nos serve e enquanto nos serve", salientou que Cristo "não rejeita esta procura insincera, mas incentiva a sua conversão".

"Não manda embora a multidão, mas convida todos a examinar o que palpita no nosso coração. Cristo chama-nos à liberdade: não quer servos nem clientes, mas procura irmãos e irmãs a quem se dedicar com todo o seu ser. Para corresponder com fé a este amor, não basta ouvir falar de Jesus: é preciso acolher o sentido das suas palavras. Nem basta sequer ver o que Jesus faz: é preciso seguir e imitar a sua iniciativa", apelou.

A Igreja Católica angolana tem manifestado a sua preocupação com o crescimento de rituais associados a superstições, questão muito presente no Leste de Angola, região onde a evangelização cristã foi mais tardia.

"Até os mais belos dons do Senhor, que cuida sempre do seu povo, se tornam então uma exigência, um prémio ou uma chantagem, e são mal compreendidos precisamente por quem os recebe. O relato evangélico faz-nos, portanto, compreender que existem motivos errados para procurar Cristo, sobretudo quando é considerado um guru ou um amuleto da sorte", advertiu.

O Papa citou o Evangelho -- "Vós procurais-me, não por terdes visto sinais miraculosos, mas porque comestes dos pães e vos saciastes" -- para afirmar que Cristo pergunta se é procurado "por gratidão ou por interesse, por cálculo ou por amor".

Leão XIV afirmou que o que o trouxe até aqui, para estar com a população de Saurimo, foi a "Boa Nova, o Evangelho que corre como sangue nas veias".

"Não viemos ao mundo para morrer. Não nascemos para nos tornarmos escravos nem da corrupção da carne, nem da corrupção da alma: toda a forma de opressão, violência, exploração e mentira nega a ressurreição de Cristo, dom supremo da nossa liberdade. Na verdade, esta libertação do mal e da morte não acontece apenas no fim dos tempos, mas na história de todos os dias", declarou.