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Leão XIV esperado na Guiné Equatorial para última paragem de viagem por África

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O papa Leão XIV inicia hoje a quarta e última etapa da viagem por África com uma visita à Guiné Equatorial, onde deverá abordar as questões sensíveis do pluralismo político e das liberdades cívicas.

Depois de três dias em Angola, o pontífice norte-americano é esperado por volta do meio-dia (mesma hora em Lisboa) em Malabo, a antiga capital deste país da África Central, um dos mais fechados do continente.

Leão XIV irá, 44 anos depois, seguir os passos de João Paulo II, o primeiro papa a pisar solo guineense, um país rico em petróleo com dois milhões de habitantes, dos quais 80% são católicos, um legado da colonização espanhola.

A Guiné Equatorial é governada desde 1979 por Teodoro Obiang Nguema, de 83 anos, que detém o recorde mundial de chefe de Estado com o reinado mais longo fora das monarquias.

Desde o início, a 13 de abril, da visita pastoral a África, que passou também por Argélia e Camarões, que o sumo pontífice tem adotado um tom mais assertivo, apelando à justiça social, ao combate à corrupção e ao respeito pelos direitos humanos.

A maioria da população da Guiné Equatorial continua pobre, apesar de ter um dos rendimentos per capita mais elevados de África, devido, em particular, às receitas petrolíferas.

Em Malabo, alguns estão preocupados com o custo da visita para o povo da Guiné Equatorial, que também faz parte da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP).

Andrés Esono Ondo, líder do único partido de oposição autorizado do país, a Convergência para a Social Democracia, teme que a deslocação cause ainda mais sofrimento à população, que terá de suportar o "fardo económico", algo que "o Papa não quer", acrescentou.

As autoridades da Guiné Equatorial são regularmente criticadas por organizações internacionais pela corrupção endémica e pela repressão da oposição, marcada por detenções arbitrárias e restrições às liberdades civis.

A maioria das figuras da oposição e dos meios de comunicação independentes, perseguidos pelas autoridades, estão exilados em Espanha.

Em Malabo, Leão XIV discursará hoje ao Presidente Obiang, aos membros do governo, ao corpo diplomático, à sociedade civil e a representantes do sector cultural.

Na quarta-feira, num dia com três voos programados, viajará para Mongomo, a cidade natal do chefe de Estado, celebrar uma missa e saudar os alunos e professores de uma escola técnica que tem o nome do Papa Francisco.

De seguida, viajará para Bata, a capital económica, para prestar homenagem às vítimas da explosão que matou mais de 108 pessoas num acampamento militar em 2021, e visitar também reclusos na prisão local.

Na quinta-feira, no último dos 11 dias da viagem de 18 mil quilómetros pelo continente africano, o Papa celebrará uma grande missa no estádio de Malabo.