Aumento de procura e denúncias na estética motivam campanha de alerta
As denúncias relativas a locais onde profissionais não habilitados fazem procedimentos estéticos como a aplicação de 'botox' ou preenchimentos com ácido hialurónico estão a aumentar, o que levou as autoridades a lançar hoje uma campanha de alerta.
A campanha "Não é só estética. É saúde", que é apresentada na Biblioteca Municipal Almeida Garrett, no Porto, pretende alertar os consumidores para os riscos associados a estes procedimentos, muitas vezes encarados como simples e seguros, mas que, se feitos por quem não está habilitado, podem ter consequências como infeções, morte de tecidos e até deformações permanentes.
"Portugal está a seguir a tendência de outros países do mundo, onde a realização deste tipo de procedimentos faciais, de aplicação de toxina botulínica [botox] e de preenchimento com ácido hialurónico injetáveis, por exemplo, é bastante comum", disse à Lusa Mariana Mota Torres, vogal do conselho de administração da Entidade Reguladora da Saúde (ERS), uma das quatro entidades promotoras.
A iniciativa, que envolve também o Infarmed, a Autoridade de Segurança Alimentar e Económica (ASAE) e a Direção-Geral do Consumidor, surge numa altura de procura crescente destes serviços, motivada tanto por uma divulgação crescente como pela influência das redes sociais.
"As quatro entidades envolvidas creem que a procura por este tipo de procedimento tem vindo a aumentar", fruto do impacto das redes sociais e da publicidade na perceção da própria imagem e da "busca incessante por uma aparência mais jovem e idealizada", afirmou a responsável da ERS.
Foi precisamente este aumento da procura que levou as quatro entidades a desenharem esta campanha conjunta, que será divulgada através dos seus canais digitais.
Os promotores insistem que esta iniciativa "não visa desencorajar a realização de procedimentos estéticos, que é sempre uma decisão individual", mas sim assegurar que os consumidores têm conhecimentos suficientes para escolher de forma consciente, segura e responsável.
"O que pretendemos é reforçar e empoderar os utentes para serem capazes de identificar potenciais riscos", disse Mariana Mota Torres, lembrando que os dois procedimentos estéticos mais realizados no mundo - a aplicação de botox e o preenchimento com ácido hialurónico - "escapam à área cirúrgica".
Embora não haja dados concretos que permitam corroborar a ideia de que estes procedimentos são cada vez mais procurados por pessoas cada vez mais jovens -- daí a campanha ser dirigida a diferentes faixas etárias -, as autoridades registaram um aumento no número de denúncias relativas aos estabelecimentos onde estes serviços são prestados.
"Esses dados, sim, são concretos, que é o aumento de denúncia e o aumento de intervenções realizadas por cada uma das entidades, no seu quadro legal de competências", acrescentou.
Entre o material informativo de lançamento da campanha está um vídeo com um depoimento de uma mulher que recorreu a um estabelecimento para um destes procedimentos estéticos, que foi feito por profissional não habilitado. Resultado: correu mal e ainda hoje tem de gastar dinheiro para corrigir a situação, que reconhece a vai marcar "para sempre".
Segundo os dados hoje divulgados, a ASAE e a ERS receberam nos últimos nove anos cerca de mil denúncias relacionadas com procedimentos estéticos faciais realizados por pessoas não habilitadas.