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Política cultural do Vaticano tem foco no diálogo e nos mais vulneráveis

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Foto Global Images

O cardeal português José Tolentino de Mendonça afirmou hoje que a Igreja Católica quer usar a cultura para dialogar com um mundo cada vez mais "fragmentado e polarizado", com uma cooperação focada no combate à exclusão e proteção dos vulneráveis.

"Estamos dispostos a percorrer um caminho com todos, um caminho que torne a cultura e a arte contemporânea como um local de serviço a uma humanidade mais vulnerável e ajude a iluminar os locais mais invisíveis da humanidade", afirmou o prefeito do Dicastério para a Cultura e a Educação, numa conferência do encontro "Vaticano in loco", organizado para jornalistas portugueses em Roma.

A "diversidade é importante", mas é também "importante criar sinergias" num mundo "fragmentado e polarizado como é o mundo em que vivemos", explicou o responsável pela pasta da Cultura na Santa Sé.

O diálogo entre a fé e razão encontra na cultura o seu espaço, disse, salientando que as artes constituem um local preferencial da ação da Igreja na sociedade.

"Sem um horizonte religioso, a cultura permanece incompleta" e sem a cultura, a "fé fica fechada em si mesma", considerou o cardeal português, recordando o trabalho de promoção das artes feito por vários Papas, como Paulo VI ou Bento XVI.

Mais recentemente, o "Papa Francisco introduziu um elemento que penso que está muito presente no Papa Leão" XVI: "a cultura tem de ser um um local de encontro com quem está mais vulnerável".

Já como responsável da cultura, Tolentino de Mendonça promoveu encontros de Francisco com humoristas e de Leão XIV "com o mundo do cinema", porque "quando a religião se expressa em termos culturais torna-se num espaço amplo de aprofundamento do que é ser humano".

Apesar do esforço de promoção da cultura, o Vaticano pretende apenas ter "uma missão de guia e de acompanhamento" dos atores culturais.

"Seria impossível a igreja ter a sua própria produtora", mas "pode inspirar os produtores", exemplificou, defendendo a modernidade do discurso.

A "linguagem cultural muda e o importante é perceber a importância desta nova dimensão", porque "a fé precisa de narradores contemporâneos", acrescentou ainda.