Isto não é política. Isto são vidas
A mobilidade não se resolve com slogans. Resolve-se com equilíbrio, com articulação e com decisões responsáveis
Há coisas que só quem vive no Porto Santo entende verdadeiramente.
Entende o que é depender de um avião para quase tudo. Para uma consulta, para resolver um problema urgente, para trabalhar, para estudar, para estar com a família quando é preciso.
E é por isso que há duas questões que hoje não podem ser ignoradas.
A primeira é a fiabilidade da ligação aérea entre o Porto Santo e o Funchal.
Desde janeiro de 2025, já houve 33 cancelamentos. Só a semana transacta, cinco voos não se realizaram. Isto não são números, são pessoas que falham consultas, compromissos, momentos importantes da sua vida.
E quando vemos que outras rotas da Binter continuam a funcionar com normalidade, percebemos que há aqui uma escolha. E essa escolha não pode ser feita à custa dos porto-santenses.
Quem vive no Porto Santo sente isto todos os dias. E, por isso, custa ouvir quem tenta desvalorizar esta realidade, falando em “encenação” ou “indignação seletiva”.
Quem diz isso não está a falar para as pessoas. Está a falar para o ruído político.
Porque quem cá vive sabe que isto não é teatro. É um problema real, repetido e com impacto direto na vida de todos.
A segunda questão é a mobilidade e o custo das viagens.
O Subsídio Social de Mobilidade foi criado para garantir equidade. Para assegurar que viver numa ilha não significa pagar mais para aceder ao essencial.
Mas isso só acontece se o sistema for equilibrado.
E aqui importa dizer com clareza: é preciso ter responsabilidade. A discussão sobre a existência, ou não, de um teto máximo para os preços não pode ser feita de forma simplista.
Percebo, e concordo, com a preocupação de que a ausência de limites possa levar a preços elevados. Mas também é verdade que decisões mal calibradas podem ter efeitos contrários, reduzindo oferta e prejudicando ainda mais quem precisa de viajar.
O que está em causa não é apenas pagar menos. É garantir que há voos, que há lugares e que o sistema funciona.
A mobilidade não se resolve com slogans. Resolve-se com equilíbrio, com articulação e com decisões responsáveis.
E é isso que os porto-santenses esperam: soluções que funcionem na prática.
O Porto Santo não pode continuar a viver entre cancelamentos e incerteza.
Não pode depender de um sistema que falha quando mais é preciso.
E não pode ser reduzido a um debate político quando o que está em causa são pessoas.
Porque no fim do dia, isto não é sobre discursos.
É sobre quem falha uma consulta.
É sobre quem não consegue viajar quando precisa.
É sobre quem fica para trás.
E quem vive no Porto Santo sabe exatamente do que estou a falar.