“Fraude política e orgulho insular”
Miguel Sousa endurece críticas a Lisboa e reafirma identidade madeirense
No XX Congresso Regional do PSD Madeira, o antigo vice-presidente do partido, Miguel Sousa, protagonizou uma intervenção marcada por forte crítica ao sistema político nacional e pela defesa da autonomia e identidade política da Madeira.
Num discurso de tom contundente, afirmou o seu afastamento da actual linha partidária nacional e deixou críticas directas à política em Lisboa, descrevendo o contexto como uma “fraude política” e apontando falhas estruturais na governação do país.
Entre as declarações mais duras, referiu-se ao panorama político nacional com palavras de forte acusação:
“Temos um antigo primeiro-ministro quase preso, outro que se demitiu por suspeita de corrupção e foi premiado presidente na Europa. E um outro que esconde as contas da sua empresa e até infringe a lei sem sinto de segurança. Só nós é que tínhamos de provar que não deveríamos de nada ao feito.”
O antigo dirigente sublinhou ainda o seu distanciamento político recente, afirmando: “não sou mais do PSD de Luís Montenegro nem de Hugo Soares”, e criticando o que considera ser uma degradação interna do espaço político nacional.
Apesar do tom crítico, deixou uma nota de reconhecimento à liderança regional, expressando “orgulho em Miguel Albuquerque”, reforçando a continuidade do projeto social-democrata na Madeira e a sua autonomia política.
O ex-dirigente abordou também a questão da mobilidade aérea, defendendo medidas mais firmes sobre o Subsídio Social de Mobilidade:
“Precisa de um tecto máximo. Mas é nos preços, é pessoas que praticam o rombo que nos fazem quando queremos viajar. Isso sim, precisa de um tecto máximo. Se resolvido, o subsídio também o está.”
Acrescentou ainda que “temos os preços das viagens mais caras do mundo. Esta é uma verdade absoluta. O Governo central tem de encontrar solução para este absurdo. Protestar, reclamar e exigir em vez de ser cúmplice num assalto aos residentes.”
Miguel Sousa defendeu igualmente maior foco na acção governativa e criticou estratégias da oposição, sublinhando: “deixem-se de falar nos partidos da oposição, porque com isso deles só fazem publicidade. O tempo presta-se a magia e eles são campeões nesse assunto.”