PSD/M aprova Moção 'Madeira Livre' por unanimidade
Albuquerque reforça autonomia, critica centralismo e apela à estabilidade governativa
O presidente do PSD Madeira, Miguel Albuquerque, apresentou este sábado, no XX Congresso Regional, a Moção de Estratégia Global intitulada ‘Madeira Livre’, aprovada por unanimidade, sem inscrições para debate, reforçando a linha de continuidade governativa, a defesa da autonomia e críticas ao centralismo do Estado.
Sob o lema ‘Madeira livre e responsável, com rumo claro para o futuro’, Albuquerque afirmou que “o caminho é muito claro” e que tanto a Região como o partido “sabem exactamente para onde vão”, sublinhando que a estratégia foi aprovada “sem equívocos quanto ao rumo a seguir”.
Na sua intervenção, o líder social-democrata insistiu na necessidade de estabilidade política e governativa, defendendo que esta é essencial para cumprir o mandato popular. “Temos que garantir a estabilidade parlamentar e governativa para cumprir com segurança aquilo que foi sufragado pelo povo da Madeira”, afirmou, reiterando que o PSD/M é “um partido de governo” e não de protesto.
A autonomia regional voltou a ocupar lugar central no discurso, com Albuquerque a defender o reforço dos poderes da Assembleia Legislativa e a revisão do Estatuto Político-Administrativo. Criticou ainda a actual relação com a República e o modelo de financiamento, classificando a Lei das Finanças Regionais como “vergonhosa” e inadequada às especificidades da insularidade. “Independentemente do crescimento económico, continuamos a viver numa ilha a 940 quilómetros do continente, com custos que têm de ser compensados”, disse.
No plano fiscal, defendeu a criação de um quadro próprio que permita assegurar receitas superiores a mil milhões de euros no futuro, apontando a redução de impostos como “um exemplo para o país”. Sublinhou também a necessidade de garantir a continuidade do crescimento económico — que disse durar há 57 meses —, com contas públicas equilibradas e políticas consistentes.
Albuquerque defendeu ainda que o Estado deve assumir integralmente responsabilidades em áreas como a saúde e a educação, face aos “sobrecustos estruturais permanentes” da Região, e destacou a ambição de manter a Madeira na liderança da transição tecnológica.
A moção “Madeira Livre” inclui também um apelo a uma maior proximidade aos cidadãos, com o líder do PSD/M a defender o contacto permanente com as estruturas locais e uma atitude política mais activa. “Temos que continuar aquilo que somos, mas com mais dinâmica”, afirmou, apelando a que os dirigentes estejam “no terreno” e disponíveis para ouvir as pessoas.
Num tom crítico, deixou recados internos e à oposição, que considerou sem projecto político para a Região. “Não estejam à espera que nenhum membro da oposição nos ajude”, disse, reforçando que “só o PSD tem capacidade para continuar a liderar a Madeira”.
Albuquerque assumiu ainda o perfil combativo do partido. “Este é um partido de combate, não é um partido de consensos”, afirmou, concluindo que continuará na liderança “com garra e coragem”.