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ERC recebe 3.300 queixas sobre declarações de Cristina Ferreira relativas a violação de menor

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A Entidade Reguladora para a Comunicação Social (ERC) recebeu até ao momento 3.300 participações relativas às declarações da apresentadora Cristina Ferreira relativas a um caso de uma alegada violação de uma menor, disse hoje à Lusa fonte oficial.

Contactada pela Lusa, a ERC "informa que recebeu, até ao momento, 3.300 participações relativas às declarações de Cristina Ferreira no programa 'Dois às 10', da TVI".

Estas participações "encontram-se em apreciação pelos serviços da ERC, no seguimento do procedimento de averiguações determinado pelo Conselho Regulador", adiantou fonte oficial da ERC.

Em causa estão as declarações de Cristina Ferreira no início da semana, programa 'Dois às 10', sobre o caso dos quatro 'influencers' acusados de, em 2025, terem violado uma adolescente de 16 anos e filmado os atos sexuais, em Loures, que começaram a ser julgados à porta fechada na segunda-feira, 13 de abril.

"Porque nós temos de falar disto. Porque é assim: mesmo que ela tenha dito para parar, quando são quatro que estão naquela adrenalina de estar a fazer sexo com uma rapariga, alguém ouve? Claro que tem de ouvir, mas alguém entende aquele: ''Não quero mais'", questionou a apresentadora no programa da TVI, o que gerou polémica e as queixas à ERC.

Na sequência disso, na quarta-feira, a TVI emitiu um comunicado em que rejeita as acusações de banalização de um caso de violação discutido no programa, afirmando que a pergunta colocada por Cristina Ferreira foi descontextualizada e alvo de "manipulação grosseira".

No comunicado, que não está assinado, a TVI sublinha que tanto a estação como a apresentadora não concordam, "em nenhuma circunstância", com a desvalorização de crimes de natureza sexual.

Segundo a mesma informação, a pergunta teve como objetivo suscitar o debate e permitir a expressão de repúdio relativamente a atos praticados por violadores.

"A pergunta aconteceu, o comentário não e muito menos a expressão da banalização do crime", referiu a TVI, que criticou ainda a propagação de acusações nas redes sociais, que considera serem feitas de forma "gratuita e leviana", indicando que irá recorrer aos tribunais para repor a justiça.

A Lusa contactou a empresa e questionou quem escreveu o comunicado e questionou se o diretor-geral da TVI e o presidente executivo da Media Capital consideram que o comunicado da TVI espelha a posição do grupo. Fonte oficial respondeu que "o comunicado é da TVI".

A Lusa contactou a empresa e questionou quem escreveu o comunicado. Questionou também se o diretor-geral da TVI, José Eduardo Moniz, e o presidente executivo da Media Capital, Pedro Morais Leitão, consideram que aquela comunicação da TVI espelha a posição do grupo. Fonte oficial respondeu que "o comunicado é da TVI".

De acordo com a acusação do Ministério Público, os arguidos no caso referido têm atualmente entre 18 e 21 anos e respondem por um crime de violação agravado e 27 crimes de pornografia de menores agravados.

Um dos 'influencers' está ainda acusado de três crimes de ofensa à integridade física e outro de um da mesma natureza.

O caso remonta a 12 de fevereiro de 2025, quando a vítima se encontrou com os quatro arguidos, então com canais nas redes sociais e públicos significativos, num jardim público em Santo António dos Cavaleiros, concelho de Loures, na área metropolitana de Lisboa.

Segundo a acusação, os atos sexuais, gravados com o telemóvel, terão começado de forma consensual no jardim público e continuado, contra a vontade da vítima, numa garagem próxima.

O julgamento prossegue em 20 de abril no Tribunal Central Criminal de Loures e apenas a leitura da decisão será aberta ao público, em data ainda a agendar.