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Pelo menos dez jornalistas foram agredidos em Caracas

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O Sindicato de Trabalhadores da Imprensa (SNTP) denunciou hoje que pelo menos 10 jornalistas foram agredidos, na quinta-feira, pela Polícia Nacional Bolivariana (PNB), quando faziam a cobertura de uma marcha em Caracas que reivindicava aumentos salariais.

"Pelo menos 10 jornalistas e trabalhadores da imprensa foram golpeados com escudos antimotim, borrifados com gás pimenta e roubados por oficiais da Polícia Nacional Bolivariana, que impediram o avanço da mobilização que reclamava salários e pensões dignas em Caracas", explica o SNTP em comunicado.

No documento o SNTP explica que os jornalistas estavam perfeitamente identificados e que "não são os únicos" casos registados de agressões a profissionais da comunicação social registados desde quinta-feira.

O sindicato nota que, além das agressões físicas, os profissionais da imprensa viram destruídos equipamentos de reportagem, telemóveis e microfones.

"Exigimos o fim imediato das agressões contra a imprensa e a realização de uma investigação, com sanções aos funcionários responsáveis. O Estado tem a obrigação de garantir condições para o exercício do jornalismo. Para sustentar esta denúncia, mantemos em nosso poder fotografias, vídeos, nomes e declarações das vítimas, que comprovam a ação deliberada contra jornalistas identificados", sublinha.

A polícia venezuelana dispersou na quinta-feira, com gás lacrimogéneo, uma manifestação convocada por sindicatos e trabalhadores para pedir aumentos salariais em frente ao Palácio presidencial de Miraflores, em Caracas.

O Sindicato Nacional de Trabalhadores da Imprensa (SNTP) alertou recentemente que o jornalismo na Venezuela não é uma atividade segura, que existe um altíssimo risco para os jornalistas, comparando o exercício da profissão a um "cenário de guerra".

Agressões, repressão, detenções arbitrárias durante a cobertura de eventos, ameaças, censura institucionalizada e o bloqueio de mais de 60 portais web desde janeiro são algumas das situações que afetam os jornalistas.

Uma vez detidos, os jornalistas são privados de direitos básicos e os equipamentos telefónicos são revistados, ainda segundo o SNTP.

Em janeiro de 2026, foram detidos 16 jornalistas quando faziam a cobertura da tomada de posse de Delcy Rodríguez como presidente interina da Venezuela. A maioria foi libertada após revistas e monitoramento dos aparelhos, e pelo menos um jornalista estrangeiro foi deportado.

Alguns destes jornalistas continuam proibidos de sair do país, de dar entrevistas e estão obrigados a apresentar-se periodicamente à polícia.

Em março de 2026, várias organizações não-governamentais denunciaram o desaparecimento forçado de jornalistas detidos sem informações oficiais sobre o seu paradeiro.