DNOTICIAS.PT
Guerra no Irão Mundo

Ministro das Finanças da zona euro discutem hoje impactos económicos

Foto Shutterstock
Foto Shutterstock

Os ministros das Finanças da zona euro, reunidos hoje pela primeira vez em Bruxelas desde o início da guerra entre Israel e Estados Unidos e Irão, vão discutir os impactos económicos do conflito, ao nível energético e inflacionista.

O encontro -- no qual Portugal estará representado pelo ministro português da tutela, Joaquim Miranda Sarmento -- começa com um debate sobre a evolução macroeconómica na área do euro, devendo os governantes da moeda única debater como fazer face aos aumentos dos preços da energia e das pressões inflacionistas devido à guerra envolvendo Israel, os Estados Unidos e o Irão, que arrancou há uma semana.

Numa altura em que os preços petróleo e do gás natural já registam subidas (o petróleo a subir mais de 10% e o gás europeu a sofrer aumentos ainda mais acentuados), teme-se na Europa que se volte à situação de crise energética de 2022, após a invasão russa da Ucrânia, já que o espaço comunitário depende fortemente das importações provenientes de mercados globais, muitos dos quais estão direta ou indiretamente ligados ao Médio Oriente.

Qualquer escalada militar que afete a produção ou o transporte de energia - especialmente no Estreito de Ormuz, por onde passa cerca de um quinto do petróleo mundial - tende a gerar choques nos mercados energéticos internacionais e a elevar os preços.

Os aumentos resultam tanto de interrupções na produção e transporte de energia como da incerteza geopolítica que leva investidores e empresas a antecipar escassez futura, podendo também afetar os preços da eletricidade (dado o gás pesar em tal formulação), transportes e produção industrial.

O Banco Central Europeu (BCE), responsável pela estabilidade dos preços na área da moeda única, já veio alertar que a subida dos preços da energia pode gerar pressões inflacionistas na zona euro.

De acordo com o BCE, uma guerra prolongada no Médio Oriente poderá elevar a inflação e reduzir o crescimento económico, uma vez que os custos energéticos mais elevados se propagam por toda a economia.

A incerteza política relacionada com a guerra pode ainda reduzir o investimento, perturbar cadeias de abastecimento e aumentar os custos de transporte global, consequências que são mais acentuadas quanto maior for a duração do conflito.

Uma escalada prolongada da guerra no Médio Oriente representa um risco significativo para a estabilidade macroeconómica europeia.

Os Estados Unidos e Israel lançaram a 28 de fevereiro um ataque militar contra o Irão, tendo matado durante a ofensiva o 'ayatollah' Ali Khamenei, líder supremo do país desde 1989.

O Irão encerrou o estreito de Ormuz e lançou ataques de retaliação contra alvos em Israel, bases norte-americanas e outras infraestruturas em países da região como Arábia Saudita, Barém, Emirados Árabes Unidos, Qatar, Kuwait, Líbano, Jordânia, Omã, Iraque, Chipre e Turquia.