Costa defende "ordem internacional baseada em normas" e que "unilateralismo" não é caminho
O presidente do Conselho Europeu, António Costa, defendeu hoje uma "ordem internacional baseada em normas", após a ofensiva lançada em fevereiro pelos Estados Unidos e Israel contra o Irão, e "o unilateralismo" nunca pode ser "o caminho", afirmou.
"A União Europeia defenderá sempre uma ordem internacional baseada em normas, ancorada no Direito Internacional, no multilateralismo e nos princípios consagrados na Carta das Nações Unidas. A alternativa é o caos e a violência", sustentou António Costa num longo discurso proferido durante um ato em Hamburgo, na Alemanha.
Neste sentido, garantiu que "não se podem aceitar violações do Direito Internacional, seja na Ucrânia, na Gronelândia, na América Latina, em África ou em Gaza".
"Não podemos aceitar violações dos Direitos Humanos, seja no Irão, Sudão ou Afeganistão", argumentou.
Costa afirmou que "a guerra no Médio Oriente é de suma preocupação" e, embora tenha apontado o Irão como "responsável pelas causas fundamentais desta situação", deixou claro que "o unilateralismo nunca pode ser o caminho a seguir".
"As retaliações do Irão e dos seus aliados em toda a região, com ataques contra muitos dos seus vizinhos, incluindo Chipre, um Estado-membro da União Europeia, minam a paz e a segurança internacionais. A rápida resposta da Grécia, França, Itália e Espanha, ao enviar forças militares para proteger Chipre, é um poderoso exemplo de autonomia europeia e solidariedade inquebrantável", destacou.
Por isso, instou as partes em conflito à "máxima moderação", ao mesmo tempo que expressou solidariedade com o povo iraniano pelo seu sofrimento. "Acreditamos que os seus direitos e liberdades devem ser plenamente respeitados", frisou Costa.
Assim, precisou que o povo iraniano tem direito "a viver em paz e determinar o seu próprio futuro. "Proteger os civis, garantir a segurança nuclear e respeitar o Direito Internacional é crucial. Devemos evitar uma escalada maior", afirmou.
Costa garantiu que as "consequências" de um caminho de hostilidade que ameaça todo o Médio Oriente, a Europa e mais além são "graves", como demonstra o bloqueio do estreito de Ormuz. "A única solução duradoura e sustentável é uma resolução diplomática", afirmou.
Por outro lado, Costa indicou que a União Europeia é um projeto de reconciliação e paz, embora "a paz sem defesa seja uma ilusão".
Neste contexto, aplaudiu que se esteja a trabalhar "incansavelmente" para investir, coordenar, melhorar ainda mais a eficiência, fortalecer a indústria de defesa europeia e implementar novos instrumentos financeiros.
"O gasto em defesa em 2025 aumentou quase 80% em comparação com antes da guerra na Ucrânia. A União Europeia e os seus Estados-membros estão mobilizando até 800.000 milhões de euros até 2028. Isto marca o maior aumento do investimento em defesa na história da União Europeia. Não em oposição à NATO, mas para fortalecer a aliança transatlântica", explicou.
Costa disse que "a segurança a longo prazo na Europa não se pode manter apenas através de um maior investimento e cooperação em matéria de defesa". "Deve-se alcançar através de uma paz justa e duradoura na Ucrânia, porque a segurança da Ucrânia é a segurança da Europa", precisou.
No entanto, reiterou que a resposta da Europa "tem sido clara desde o primeiro dia da guerra de agressão da Rússia". "Prestar pleno apoio à Ucrânia, político, diplomático, financeiro, na sua segurança, reconstrução e no seu caminho para a adesão à União Europeia", apontou.
O presidente do Conselho Europeu lembrou ainda que a adesão da Ucrânia, assim como da Moldávia e de outros países dos Balcãs, "é o melhor investimento geopolítico que a União Europeia pode fazer pela paz e pela prosperidade. Vivemos num mundo multipolar, mas isso não significa que voltemos a um passado de divisões, blocos ou esferas de influência. A União Europeia não é uma ferramenta no jogo de outro. A União Europeia deve ser o seu próprio jogador. Precisamos definir o nosso próprio rumo, baseado na cooperação e não na confrontação. Soberania não é isolamento: trata-se de alianças, de construir pontes, de encontrar parceiros que partilhem os nossos valores", concluiu.
"A União Europeia não é uma ferramenta no jogo de outro", diz, aplaudindo a resposta da Grécia, França, Itália e Espanha ao ataque em Chipre.