TutorIA testado por 60 alunos na Ponta do Sol
Chatbot funciona como tutor virtual para turmas do 10.º ano em projecto-piloto
O projecto TutorIA, actualmente em fase piloto na Escola Básica e Secundária da Ponta do Sol, está a ser utilizado por cerca de 60 alunos do 10.º ano como um tutor virtual de apoio ao estudo, explicou hoje o coordenador do projecto, Fernando Pinho, durante a visita do presidente do Governo Regional, Miguel Albuquerque, à escola.
Segundo o responsável, o sistema baseia-se num chatbot textual concebido para responder a questões dos alunos de acordo com os programas curriculares das diferentes disciplinas, como português, matemática ou filosofia. A ferramenta gera respostas em texto e tabelas, mas não produz imagens nem vídeos, estando focada na explicação de conteúdos e no apoio ao estudo.
Fernando Pinho explicou que o projecto foi desenvolvido num ambiente considerado seguro, uma vez que as interacções não ficam armazenadas no histórico da plataforma. Os alunos podem, no entanto, exportar as respostas para ficheiros, como em formato PDF, caso pretendam guardar ou trabalhar posteriormente os conteúdos apresentados.
Outra das preocupações do projecto é garantir rigor científico nas respostas fornecidas pelo sistema. De acordo com o coordenador, os conteúdos foram validados para corresponder aos programas oficiais e ao perfil de saída dos alunos do ensino secundário, procurando assegurar que a informação disponibilizada esteja alinhada com o currículo escolar.
No plano pedagógico, o responsável sublinhou que a utilização da ferramenta exige uma participação activa dos alunos. O sistema responde às perguntas formuladas, pelo que os estudantes devem saber colocar questões adequadas e comparar as respostas obtidas com outras fontes, como os manuais escolares ou os programas das disciplinas.
Também os professores desempenham um papel central na utilização da plataforma. A ferramenta é encarada como um complemento aos recursos pedagógicos existentes e os docentes receberam formação para trabalhar com o sistema. Além disso, são incentivados a identificar eventuais imprecisões nas respostas geradas pelo chatbot.
No âmbito da aplicação em sala de aula, foram definidas quatro tarefas práticas destinadas a integrar a ferramenta nas actividades lectivas e a avaliar o seu potencial pedagógico. A utilização começou sobretudo nas áreas de línguas, mas está actualmente a ser experimentada também nas disciplinas das ciências exactas.
O projecto abrange, nesta fase, quatro turmas do 10.º ano da escola da Ponta do Sol. Trata-se ainda de uma fase experimental, sujeita a melhorias e ajustes à medida que a experiência avança.
A intenção, explicou Fernando Pinho, passa por avaliar os resultados e, no futuro, alargar a iniciativa a outros níveis de ensino e a mais escolas da Região, podendo mesmo acompanhar os alunos até ao 12.º ano.
Para já, o TutorIA é encarado sobretudo como uma ferramenta de apoio ao estudo. As respostas produzidas pelo sistema funcionam como um ponto de partida ou rascunho de trabalho, que deve ser analisado e comparado pelos alunos e professores, permitindo identificar a melhor solução entre diferentes respostas e reforçar o pensamento crítico no processo de aprendizagem.