Pedida "licença médica imediata" para retirar Nobel da Paz 2023 da prisão
A chamada aliança pela liberdade da ativista iraniana Narges Mohammadi, Prémio Nobel da Paz 2023, solicitou hoje às autoridades iranianas uma "licença médica imediata" para retirá-la da prisão devido ao "extremamente delicado" estado de saúde.
"A vida de Narges Mohammadi está em perigo iminente e apelamos às autoridades iranianas para que atendam o nosso pedido e lhe prestem os cuidados médicos de que necessita urgentemente, concedendo-lhe licença médica imediata", escreveu, num comunicado publicado no 'site' da fundação com o seu nome, sediada em Paris, a sua rede de apoio, que suspeita de que a ativista tenha sofrido um enfarte do miocárdio.
A equipa jurídica de Mohammadi, de 53 anos, acompanhada por um membro da sua família, visitou-a a 29 de março na prisão de Zanjan, segundo um comunicado hoje divulgado pela campanha Free Narges Coalition.
"O seu estado geral era extremamente precário, estava pálida e fraca, com uma perda de peso significativa", contou a equipa no comunicado, que indica que outras reclusas relataram que a ativista dos direitos humanos foi encontrada inconsciente na sua cela a 24 de março, mas só recebeu cuidados médicos na enfermaria da prisão, apesar de ter "sintomas compatíveis com um enfarte".
"Apesar desta emergência médica e dos evidentes indícios de um ataque cardíaco, as autoridades recusaram-se a transferir Mohammadi para um hospital ou a permitir que ela consultasse um especialista", referiu o comunicado.
Mohammadi tem um problema cardíaco e sofreu vários ataques cardíacos enquanto esteve presa, antes de ser submetida a uma cirurgia de emergência em 2022, segundo os seus apoiantes.
Há mais de 25 anos que Narges Mohammadi é reiteradamente presa e julgada pelo seu ativismo contra a pena de morte e o uso obrigatório do véu para as mulheres no Irão.
Em dezembro de 2025, foi novamente detida, e em fevereiro, foi mais uma vez condenada, desta vez a seis anos de prisão, por atentar contra a segurança nacional, e a mais um ano e meio por fazer propaganda contra o sistema islâmico. E já fez uma greve de fome para protestar contra as suas condições de encarceramento.
A comissão diretiva da aliança pela sua libertação, composta pela sua fundação, pela organização não-governamental Repórteres Sem Fronteiras (RSF) e por outras organizações, apelou também às autoridades iranianas para garantirem a sua segurança, dado que a ativista se encontra na prisão de Zanjan, de segurança máxima, juntamente com reclusos condenados por crimes violentos.
O facto de "Mohammadi ser mantida com criminosos violentos, apesar da sua grave cardiopatia e dos recentes traumas e ferimentos físicos, somado às circunstâncias de guerra e bombardeamentos que agora põem em perigo a vida e o bem-estar dos prisioneiros, agrava esta ameaça" à sua vida, sustentou a aliança pela liberdade da galardoada com o Prémio Nobel da Paz 2023.
Outros sintomas preocupantes que apresenta incluem fortes dores de cabeça, náuseas, visão dupla e turva, bem como graves oscilações na pressão arterial e hematomas visíveis, resultantes da sua violenta detenção, a 12 de dezembro de 2025, em Mashhad, afirmou a sua rede de apoio.
Mohammadi está a cumprir várias penas de prisão, num total de até 18 anos, decorrentes de acusações de "reunião e conspiração contra a segurança nacional" e "propaganda contra o Estado", com penas adicionais de exílio interno e proibição de viajar.
A aliança apelou hoje para a libertação imediata por razões humanitárias de Narges Mohammadi e de todos os defensores dos direitos humanos, escritores e jornalistas presos, instando as autoridades iranianas a garantir-lhes o acesso a cuidados médicos, assistência jurídica e contacto com as suas famílias, em cumprimento do Direito Internacional.